Comissário da Economia admite “tempos turbulentos” que afetam crescimento do euro

O comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, realçou hoje os "tempos geopolíticos turbulentos" que impactam o crescimento da zona euro, vincando que, "sem uma paz duradoura na Ucrânia", também não existe estabilidade económica.

© Facebook de Valdis Dombrovskis

“Gostaria de sublinhar em particular os debates que teremos sobre o impacto das incertezas geopolíticas que enfrentamos atualmente na economia europeia e da zona euro. É verdade que vivemos em tempos geopolíticos turbulentos, o que também está a afetar as nossas previsões económicas e, por isso, temos de trabalhar muito seriamente para reforçar a resiliência e a competitividade da economia europeia”, disse Valdis Dombrovskis, à chegada à reunião dos ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo), em Bruxelas.

No dia em que se realiza em Paris uma reunião informal promovida pelo Presidente francês sobre a Ucrânia e segurança na Europa — com participação de líderes de oito países europeus, os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte –, o responsável comunitário salientou que, “sem uma paz duradoura na Ucrânia, também não se pode contribuir para a estabilidade económica e para o crescimento económico e a segurança da Europa”.

Face à atual tentativa de mediação norte-americana de negociações para o fim da guerra da Ucrânia causada pela invasão russa, Valdis Dombrovskis reforçou a posição comunitária, de que “sem a Ucrânia e sem a Europa não pode haver negociações sobre a Ucrânia”.

Já quanto às anunciadas novas medidas do Presidente norte-americano, Donald Trump, de tarifas à União Europeia (UE), o comissário europeu da Economia declarou: “Na atual situação de incerteza, temos de deixar bem claro que defenderemos os interesses económicos europeus contra barreiras tarifárias injustificadas, caso estas venham a ser erguidas”.

A União Europeia está a preparar-se para possíveis tensões com os Estados Unidos, especialmente em relação a tarifas comerciais, dados os recentes anúncios do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Vários líderes já vieram assegurar que a UE está pronta para negociações difíceis, mas no espaço comunitário paira a incerteza sobre a relação transatlântica, que pode ser afetada por esta nova política económica e comercial da administração americana.

De momento, ocorrem também negociações sobre como a UE pode aumentar os seus investimentos em defesa e financiá-los, quando cálculos recentes da Comissão Europeia revelam que são necessários investimentos adicionais na defesa de cerca de 500 mil milhões de euros durante a próxima década.

Na passada sexta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que iria propor uma flexibilização das apertadas regras orçamentais comunitárias para despesas com defesa na UE, através da ativação da cláusula de escape, semelhante ao que foi feito para os países ajudarem as suas economias aquando da pandemia de covid-19.

“Como a presidente [Von der Leyen] anunciou, […] estamos atualmente a analisar uma maior flexibilidade no que diz respeito às regras orçamentais europeias para a defesa e a verificar como aplicar a cláusula de escape, que temos na nossa legislação. Iremos detalhar as modalidades nas próximas semanas”, adiantou Valdis Dombrovskis, prometendo mais espaço orçamental para tal aposta.

A UE tem em vigor novas normas comunitárias para défice e dívida pública (mantendo porém os tetos de, respetivamente, 3% e 60% do PIB), dada a reforma das regras orçamentais do bloco que os Estados-membros começam agora a aplicar após terem estado a traçar planos nacionais.

Últimas de Economia

O índice de preços na produção industrial (IPPI) caiu 3,5% em fevereiro, face ao mesmo mês de 2025, devido à redução dos preços da energia, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgados hoje.
O Banco Central Europeu recebeu 416 denúncias de infrações em 2025, um número semelhante às 421 de 2024, mas superior às 355 de 2023, indica um relatório da instituição divulgado hoje.
As energias renováveis garantiram 79,0% da eletricidade produzida em Portugal continental nos dois primeiros meses do ano, o terceiro melhor registo da Europa em termos de incorporação renovável, informou hoje a Apren.
Os títulos de dívida emitidos por entidades residentes totalizavam 325.700 milhões de euros no final de fevereiro, mais 3.900 milhões de euros do que no mês anterior, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).
Vários agricultores do Vale da Vilariça, no concelho de Vila Flor, ficaram sem gasóleo agrícola para trabalhar, durante alguns dias, por ter esgotado nas gasolineiras da região, estando apenas, hoje, a ser reabastecidos.
O preço eficiente do gasóleo simples em Portugal ultrapassa os dois euros por litro esta semana, enquanto o da gasolina simples 95 se aproxima desse valor, segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
O investimento em construção aumentou 5,5% em 2025 e totalizou 28.012 milhões de euros, e o valor acrescentado bruto cresceu 1,7%, para 9.940 milhões de euros, ambos face a 2024, segundo a associação AICCOPN.
Metade dos consumidores portugueses apontou o aumento do custo de vida como principal motivo para dívidas, segundo um estudo da Intrum, que apontou ainda o uso do cartão de crédito nos últimos seis meses para pagar contas ou despesas.
A associação de consumidores Deco defende que as famílias adotem uma abordagem de gestão financeira mais estratégica e, assim, estarem melhor preparadas para enfrentar períodos de incerteza económica como o que se vive.
Os juros da dívida portuguesa subiam esta sexta-feira, 13 de março, a cinco e a 10 anos em relação a quinta-feira para máximos desde julho de 2024 e novembro de 2023, respetivamente.