Formandos denunciam irregularidades em curso do INEM e admitem impugná-lo

Dezenas de formandos do curso do INEM denunciaram ao sindicato e à Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) irregularidades na formação, como discrepâncias nos métodos avaliativos, e admitem impugnar o curso.

© Facebook / INEM

Em, declarações à Lusa, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, disse que tem recebido dezenas de denúncias de irregularidades, designadamente discrepâncias de métodos avaliativos entre delegações.

“Por exemplo, em Lisboa, na banca prática é preciso duas avaliações positivas superiores a 15 valores para passar e no Porto é apenas uma. Um colega de Lisboa que teve 14,75 valores na primeira, 17 na segunda e 14 na terceira reprovou, mas se estivesse no Porto tinha passado”, exemplificou.

As denuncias que têm chegado tanto ao sindicato como a ANTEM – algumas das quais a que Lusa teve acesso — indicam ainda que há formandos a quem foi rejeitado o acesso ao regulamento do curso, uma situação que o sindicato considera “suficiente para impugnar o curso”.

O departamento jurídico do STEPH está a avaliar as denúncias recebidas e “tudo o que for preciso fazer para defender os interesses dos associados será feito”, disse o presidente do sindicato.

O STEPH questiona ainda os métodos pedagógicos usados, acrescentado que “há formandos fechados numa sala durante três horas antes de fazerem uma avaliação prática. Isto vai contra tudo o que a pedagogia manda”.

As denúncias recebidas também visam o registo das avaliações e discrepâncias entre formadores sobre a forma como a grelha de avaliação é aplicada, que, segundo o STEPH, têm levado a uma “reprovação excessiva”.

Neste momento, com o curso a meio, “já houve mais de 50 chumbos. já não estamos a falar de 200 técnicos [que o INEM disse ter contratado no início do ano]”, diz o sindicato.

A Lusa questionou o INEM sobre estas denúncias e aguarda resposta.

Em novembro do ano passado, o Governo anunciou que a formação dos técnicos do INEM passaria a ser feita em colaboração com as escolas médicas a partir deste ano e, segundo disse à Lusa o presidente do Conselho de Escolas Médicas, Carlos Robalo Cordeiro, tal está a acontecer nos módulos práticos.

“Esta primeira fase será de abril a julho (…), para que depois a fase dos estágios seja da responsabilidade do INEM no período de agosto/setembro”, disse Carlos Robalo.

O responsável explicou ainda que no módulo de formação que está a decorrer agora está envolvida a Universidade da Beira Interior (UBI), a Unidade de Coimbra e a Universidade de Algarve, rodando no módulo seguinte para a Faculdade de Medicina de Lisboa, a de Coimbra e UBI e no seguinte a UBI, a Universidade Nova e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Disse ainda que com a urgência que havia em avançar com o curso do INEM, optou-se por dividir a preparação desta formação por várias escolas médicas “para não sobrecarregar nenhuma”.

Cada escola está envolvida em dois módulos de formação prática e há uma escola sempre responsável pela gestão de cada módulo.

O STEPH diz ter indicação de que a formação prática não está ainda a decorrer nas escolas médicas e acrescentou que vai questionar tanto o presidente do INEM como a ministra da Saúde, insistindo que “o INEM não tem competências pedagógicas para dar formação com este tipo de exigência”.

“O que tem são profissionais de saúde com curso de competências pedagógicas do Instituto de Emprego, o que é muito pouco, Não tem Conselho Científico, não tem Conselho Pedagógico… isso está nas escolas”, acrescentou.

Em declarações à Lusa, o presidente do STEPH reconhece que há “faculdades prontas para iniciar formação”, mas disse ser seu entendimento que “existem forças dentro do INEM contra a passagem da formação para as faculdades de medicina”

“Há interesses que envolvem lucros da formação dentro do INEM para algumas pessoas”, afirmou Rui Lázaro, que disse ter já feito um pedido de esclarecimento à ministra da Saúde e ao presidente do INEM.

Fonte da ANTEM disse também à Lusa que a associação já pediu ao INEM informação tanto sobre o regulamento do curso como sobre a composição do conselho científico, não tendo recebido resposta até ao momento.

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