Irão vai continuar negociações nucleares, ignorando as ameaças de Trump

O presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, disse hoje que o seu país não abandonará as negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear, mas não irá tolerar ameaças nem desistir dos seus direitos.

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“Estamos a negociar, e vamos negociar. Não estamos à procura de guerras, mas não tememos qualquer ameaça. Eles que não pensem que se nos ameaçarem, nós desistiremos dos nossos direitos humanos e dos nossos direitos definitivos”, disse Masoud Pezeshkian durante um discurso a oficiais da Marinha transmitido pela televisão estatal.

Pezeshkian disse que o Irão “não se retirará, nem perderá facilmente a honra militar, científica e nuclear em todos os domínios”.

As negociações entre o Irão e os Estados Unidos atingiram, atualmente, o nível de “peritos”, o que significa que as partes estão a tentar chegar a acordo sobre os pormenores de um possível acordo.

Mas um grande ponto de discórdia continua a ser o enriquecimento de urânio pelo Irão, que Teerão insiste dever ser autorizado a fazer, enquanto a administração Trump quer que seja abandonado.

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou já repetidamente desencadear ataques aéreos contra o programa iraniano se um acordo não for alcançado.

As autoridades iranianas alertam cada vez mais para a possibilidade de se dedicarem à construção de uma arma nuclear com as suas reservas de urânio enriquecido a níveis próximos do grau de armamento.

Na sexta-feira, Trump disse que o Irão recebeu uma proposta durante as conversações, embora não tenha dado mais pormenores.

Durante a sua viagem à região esta semana, Trump insistiu, em quase todos os eventos, que não se pode permitir que o Irão obtenha uma bomba nuclear.

O chefe da organização atómica do Irão, Mohammad Eslami, numa declação hoje à tv estatal, garantiu a natureza pacífica do programa, afirmando que este está sob monitoramento “contínuo” do órgão de vigilância nuclear da ONU.

“Nenhum país é monitorizado pela agência como nós somos”, disse Eslami, acrescentando que a agência inspecionou as instalações nucleares do país mais de 450 vezes em 2024.

“Algo em torno de 25% de todas as inspeções da agência [num ano]”, acrescentou.

Paralelamente, Israel tem ameaçado rotineiramente atacar as instalações nucleares do Irão caso se sinta ameaçado, complicando ainda mais as tensões no Oriente Médio, já agravadas pela guerra entre Israel e o Hamas em Gaza.

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