Amesterdão proíbe publicidade a carne no espaço público para ‘não ofender muçulmanos’

Amesterdão tornou-se a primeira capital do mundo a proibir publicidade no espaço público a produtos de carne e combustíveis fósseis, numa decisão que está a gerar forte controvérsia e críticas sobre o papel das autoridades públicas na definição de hábitos e estilos de vida.

© Pierre Crom/Getty Images

A medida, que entrou em vigor a 1 de maio, impede a promoção de produtos como hambúrgueres de vaca, carros a gasolina ou viagens de avião em outdoors, paragens de transportes e outros espaços públicos da cidade.
 
Oficialmente, a decisão é justificada com razões ambientais, nomeadamente a redução de emissões e o objetivo de atingir a neutralidade carbónica até 2050. No entanto, críticos consideram que a medida vai além da questão climática e representa uma tentativa de impor uma determinada visão ideológica sobre alimentação e consumo.
 
A decisão está a levantar preocupações entre vários setores, que acusam a autarquia de interferir nas escolhas individuais dos cidadãos e de limitar a liberdade comercial.
 
Há também quem veja neste tipo de políticas uma tendência mais ampla de regulação de comportamentos pessoais, incluindo hábitos alimentares, sob o argumento de objetivos sociais ou ambientais.
 
Associações do setor da carne criticam a medida, considerando-a uma forma de condicionar o consumo, enquanto representantes do turismo apontam para impactos negativos na promoção de viagens.
 
Amesterdão junta-se assim a outras cidades neerlandesas que já tinham adotado restrições semelhantes, mas torna-se a primeira grande capital a aplicar esta política de forma abrangente, num passo que está muito longe de reunir consenso.

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