Metade dos professores tem alunos que faltam frequentemente às aulas

Metade dos professores tem nas suas turmas alunos do ensino básico e secundário que faltam frequentemente às aulas e um em cada três docentes conhece casos de violência entre os estudantes, segundo dados preliminares de um estudo nacional divulgado hoje.

© D.R.

Estes são alguns dos resultados do estudo “A profissão docente em Portugal: Motivações, desafios e barreiras ao desenvolvimento da carreira”, que será hoje apresentado na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa durante a “Grande Conferência Educação e Transformação”.

“Não há nada de mais importante nas escolas para os alunos do que os nossos professores”, afirmou o coautor do estudo Miguel Herdade, defendendo que o professor pode fazer a diferença no percurso académico dos seus alunos.

Cerca de dois mil docentes de mais de 300 escolas do ensino básico e secundário de todo o país responderam este ano a um inquérito que revela, entre outros aspetos, as principais dificuldades que enfrentavam.

“Metade dos professores reporta casos de alunos que faltam às aulas sucessivamente”, alertou o especialista, que é também diretor do “The Access Project” no Reino Unido e trabalha as áreas de desigualdades educativas e integração social.

Miguel Herdade questiona se haverá “aqui um grande problema que os professores estão a ver e a sociedade ainda não registou”, lembrando que após a pandemia de covid-19, os casos de abandono escolar aumentaram ligeiramente, contrariando uma tendência de diminuição que conseguiu colocar Portugal abaixo da meta de 10% definida pela União Europeia.

“A taxa continua a ser bastante baixa, mas aumentou assim como o absentismo também aumentou”, afirmou.

A outra grande dificuldade sentida pelos inquiridos prende-se com a violência, com “um em cada três professores a dizer que conhece casos de violência entre alunos”, acrescentou o especialista, sublinhando que estes são ainda dados preliminares e que o estudo só estará concluído em setembro.

Os inquiridos, que são “uma amostra representativa do número de professores em Portugal”, falaram também sobre quem mais valoriza o seu papel: “Dizem-se mais reconhecidos por quem está mais próximo do seu trabalho: os alunos e os seus colegas”, por oposição à sociedade em geral e aos encarregados de educação, revelou Miguel Herdade.

O estudo, resultado de uma parceria entre a Universidade do Minho e o Centro de Economia da Educação da Nova SBE, mostra “dados bastante encorajadores e outros que são ligeiramente menos” e lança alguns alertas.

Lembrando que esta é uma classe envelhecida que atravessa um processo de renovação, com a maioria dos professores à beira da reforma, o investigador lembrou que é preciso garantir que “as pastas sejam passadas com eficácia” aos mais novos para que possam ser melhores profissionais.

No entanto, apenas dois em cada 10 professores sabiam que a sua escola tinha um programa de integração. “Nas restantes escolas, ou não sabem que existe ou não há programa”, alertou Miguel Herdade.

Os inquiridos pediram mais formação na sua área científica e na área tecnológica, que são as mais aplicáveis em sala de aula.

Os professores que se mantêm atualizados e recebem formação ao longo da sua carreira sentem-se mais satisfeitos na sua profissão e os efeitos notam-se nos alunos, que “têm melhores conhecimentos e melhores notas”, disse, sublinhando que o fenómeno nota-se mais entre as famílias mais carenciadas.

Em Portugal existem diferentes entidades que oferecem formação contínua aos professores, “mas não estão mapeadas de forma sistematizada”, lamentou o especialista, lembrando bons exemplos como o do Reino Unido, onde existe uma espécie de programa nacional de formação de professores que facilita o conhecimento e acesso a essas formações.

Apesar de ser uma classe envelhecida, dois em cada três professores utiliza a Inteligência Artificial para preparar aulas e fá-lo apesar de haver falta de recursos nas escolas, segundo o estudo da Fundação Semapa – Pedro Queiroz Pereira, que quis dar voz aos docentes portugueses, conhecer as suas principais preocupações e aspirações e reunir contributos valiosos sobre o que pode ser melhorado.

A conferência vai reunir especialistas, educadores, alunos e líderes para debater soluções educativas mais inclusivas e ajustadas aos desafios do futuro.

Últimas do País

O presidente do CHEGA acusa grupos de extrema-esquerda de se infiltrarem nas manifestações pela habitação para provocar confrontos com a polícia. Ventura defende a atuação das forças de segurança e exige medidas urgentes no Orçamento do Estado, rejeitando reuniões políticas sem soluções concretas.
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) alertou que mais de 60 ambulâncias do INEM estão em oficinas sem ordem de reparação, suspeitando que o instituto pretende substituí-las por viaturas ligeiras.
Portugal registou 2.767 acidentes rodoviários e 13 vítimas mortais entre 13 e 19 de outubro, mais oito mortes do que no mesmo período de 2025. Durante a campanha 'Viaje sem Pressa', a GNR e a PSP fiscalizaram mais de 5,4 milhões de veículos e detetaram 12.994 infrações por excesso de velocidade.
O Ministério Público (MP) acusou 11 pessoas e 15 sociedades dos crimes de associação criminosa, fraude fiscal, burla tributária e branqueamento, através da venda de veículos, componentes automóveis e deduções indevidas de IVA, segundo publicação hoje consultada pela Lusa.
O património imobiliário do PCP está avaliado em cerca de 14,5 milhões de euros, segundo dados divulgados, que identificam mais de 300 prédios associados ao partido. Entre compras, vendas e permutas, destaca-se um negócio em Aveiro que envolve um imóvel adquirido por 350 mil euros e uma permuta por cinco frações avaliadas em 800 mil euros, operação que foi alvo de investigação do Ministério Público.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 100 vítimas de 'bullying' em 2025, a maioria raparigas entre os 11 e os 14 anos, segundo dados divulgados hoje, Dia Mundial do Combate ao Bullying.
Um casal suspeito de burlar idosos em Silves através da simulação de acidentes de viação, exigindo dinheiro para reparar danos nos veículos, foi detido na segunda-feira pela GNR. Os suspeitos, ambos com 45 anos, convenciam as vítimas de que tinham provocado estragos nas viaturas e pressionavam-nas a pagar de imediato, evitando a comunicação do caso às autoridades ou às seguradoras.
As autoridades policiais apreenderam desde 01 de janeiro deste ano 42 toneladas de cocaína, mais 17 do que em todo o ano de 2025, revelou hoje o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve hoje 55 manifestantes que resistiram quando a força de segurança retirou as tendas da Acampada de Lisboa que se encontrava na Praça D. Pedro IV (Rossio).
Um esquema de tráfico internacional que utilizava filtros de água para esconder cocaína proveniente de um cartel colombiano terminou com condenações em tribunal. Segundo avança o Jornal de Notícias, os equipamentos eram utilizados para dissimular a droga e facilitar a sua importação.