“Quando há um determinado tipo de violência, ficam em silêncio…”

O líder do CHEGA, André Ventura, condenou hoje o ataque ao ator Adérito Lopes, mas criticou o Presidente da República e o primeiro-ministro por criticarem uns tipos de violência e ficarem em silêncio perante outros.

© Folha Nacional

“Toda a violência deve ser condenável e deve ser condenada”, afirmou André Ventura, clarificando que o CHEGA condena o ataque ao ator da companhia de teatro A Barraca Adérito Lopes, bem como qualquer “violência cometida quer contra grupos sociais, quer contra grupos políticos”.

Para André Ventura, “era importante que toda a violência fosse condenada” e que “a sociedade não vivesse numa espécie de esquizofrenia” em que, “quando é violência contra a direita é boa e pode-se tolerar, quando é outro tipo de violência temos que condenar”.

Questionado sobre se o discurso do CHEGA em relação aos imigrantes poderá ser entendido como um incentivo à violência, o líder do CHEGA afirmou que “se não se puder dizer no país que os imigrantes que para cá vêm têm que trabalhar e cumprir regras, então não se pode dizer nada”, criticando os “duplos critérios” que considera haver por parte de alguns decisores políticos.

“Parece que vivemos numa espécie de esquizofrenia política, em que tudo é aceitável de um lado e nada é aceitável do outro”, disse André Ventura, lembrando que o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condenou o ataque ao ator, mas não disse “nem uma palavra sobre o que aconteceu na Amareleja”, onde um pai matou um filho.

“O Presidente da República tem medo que a comunidade cigana fique chateada com ele, mas prefere ir atrás de uma certa opinião maioritária dos media em relação a outro tipo de crimes”, acusou, questionando porque é que o presidente “não condena a violência entre ciganos e por ciganos?” ou Quando mulheres são violadas no Martim Moniz ou numa zona qualquer do país, isso não é violência que tenha que ser condenada”.

Reiterando que o CHEGA é “contra todo o tipo de violência, seja ela cometida contra quem for, seja ela cometida por razões que for” o presidente do partido vincou que “a política portuguesa não pode ter lugar para a violência” e que é preciso que “não haja a violência boa da esquerda e a violência má da direita”.

“O que não podemos é ter presidentes, primeiros-ministros e responsáveis políticos que, quando há um determinado tipo de violência, ficam em silêncio, a ver se o assunto morre e quando há outro tipo de violência, parece que há uma série de comentadores, políticos e jornalistas que adoram dizer as palavras extrema-direita e neonazista”.

Já quando há violência “de ocupas, de grupos extremistas de esquerda, de grupos de antifascistas, chamam-lhes ativistas”, rematou, concluindo tratar-se “fazer mau exercício do poder político por parte de quem exerce o poder político.

André Ventura falava em Santarém onde hoje visitou a Feira Nacional de Agricultura / Feira do Ribatejo que decorre até domingo no Centro Nacional de Exposições (CNEMA).

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