Pelo menos 20 pessoas morreram num ponto de distribuição de ajuda em Gaza

Pelo menos 20 pessoas morreram quando procuravam ajuda num dos pontos de distribuição de alimentos da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), no sul da Faixa de Gaza, disse hoje esta organização apoiada por Israel e pelos Estados Unidos.

© Facebook Israel Reports

“Estamos de coração partido ao confirmar que 20 pessoas foram mortas esta manhã num trágico incidente (…). Segundo o que sabemos, 19 das vítimas foram espezinhadas e uma foi esfaqueada no meio de uma debandada caótica e perigosa, criada por manifestantes na multidão”, afirmou a GHF.

Segundo a Fundação, a debandada foi “incentivada” por pessoas da multidão que seriam “filiadas ao grupo islamita palestiniano Hamas”.

A GHF é criticada pela ONU e por organizações internacionais pela sua falta de imparcialidade e pelos episódios de violência relatados perto dos seus pontos de distribuição de ajuda humanitária.

Mais de 800 habitantes de Gaza morreram devido aos tiroteios em torno destes pontos de distribuição de alimentos da GHF, enquanto os feridos ultrapassam os 5.000, de acordo com dados do Ministério da Saúde da Faixa de Gaza.

Esses centros de distribuição tornaram-se uma das poucas vias que a população de Gaza tem para conseguir alimentos, embora muitos dos que os procuram saiam de mãos vazias, pois a comida disponibilizada à população não é suficiente.

A organização afirma ter distribuído mais de 1,2 milhões de cabazes de alimentos desde que começou a funcionar em Gaza, a 27 de maio.

Cada caixa alimenta 5,5 pessoas, segundo a organização, durante três dias e meio, o que significa que, em mais de um mês e meio, os recursos da organização teriam abastecido cerca de 218.500 pessoas (de uma população de 2,1 milhões).

A agência de notícias EFE pôde verificar no ponto de distribuição localizado no centro de Gaza que a GHF deixa as caixas em paletes agrupadas para que os habitantes de Gaza tentem obter o seu conteúdo por conta própria, o que desencadeia brigas e uma recolha descontrolada e desigual dos produtos.

Além disso, a GHF não opera no norte de Gaza, que ficou isolado e onde a população costuma parar diretamente os camiões com ajuda da ONU para se apropriar da carga, às vezes com violência.

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