Irão executou pelo menos 1.000 condenados desde o início do ano

Pelo menos 1.000 condenados à morte foram executados no Irão desde o início do ano, segundo um balanço divulgado hoje pela organização não-governamental Iran Human Rights (IHR), que denuncia uma "campanha de massacres" nas prisões iranianas.

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Este número é o mais elevado desde que a organização, com sede na Noruega, começou a registar execuções em 2008. A três meses do final do ano, já ultrapassa o recorde de pelo menos 975 execuções registadas em 2024.

A IHR indicou que, só na última semana, foram contabilizadas pelo menos 64 execuções, o que dá uma média de nove enforcamentos por dia, e salientou que estes números estarão provavelmente subestimados devido à escassa transparência das autoridades iranianas sobre o assunto.

Organizações de defesa dos direitos humanos acusam regularmente a República Islâmica de levar a cabo execuções a um nível inédito nos últimos anos, num contexto marcado pelos protestos contra o poder do aiatola Ali Khamenei em 2022-2023 e pela guerra de 12 dias contra Israel em junho.

O país já tinha registado vagas de execuções nas décadas de 1980 e 1990, após a revolução islâmica de 1979 e durante a guerra Irão-Iraque.

“Nos últimos meses, a República Islâmica lançou uma campanha de massacres nas prisões iranianas, cuja dimensão, na ausência de uma reação internacional séria, cresce de dia para dia. As execuções arbitrárias e generalizadas de prisioneiros, sem respeito pelas garantias de um processo regular nem por um julgamento justo, constituem crimes contra a humanidade”, afirmou o diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam, em comunicado.

O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, participa na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, que reúne dirigentes de todo o mundo, numa altura em que Teerão enfrenta o restabelecimento de sanções económicas devido ao seu programa nuclear.

Segundo os dados da ONG, metade das execuções está relacionada com crimes de tráfico de droga, 43% com condenações por homicídio, 3% com acusações ligadas à segurança (rebelião armada, “corrupção na Terra”, “inimizade contra Deus”), 3% com violações e 1% com acusações de espionagem a favor de Israel, inimigo da República Islâmica.

O Irão ocupa o segundo lugar mundial em número de execuções, atrás apenas da China, de acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional (AI).

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