PSD e PS chumbam comissões de inquérito sobre os incêndios

PSD e PS vão chumbar propostas de criação de comissões parlamentares de inquérito sobre os incêndios florestais provenientes do CHEGA, BE, PAN e JPP, mas o partido de André Ventura já avisou que avançará de forma potestativa.

© LUSA/JOSE COELHO

As propostas de constituição de comissões de inquérito sobre os incêndios florestais do CHEGA, BE, PAN e JPP vão ser votadas em plenário na terça-feira e terão também o apoio do Livre e da Iniciativa Liberal — partidos que consideram essencial o apuramento “de responsabilidades políticas” em matéria de fogos.

Hoje, durante o debate em plenário, o líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, assim como os seus deputados Patrícia Carvalho e Rui Paulo Sousa, questionaram o PSD e o PS sobre “o que temem” com a constituição de uma comissão de inquérito com o objetivo de apurar que são os beneficiários do “negócio do fogo”.

Rui Paulo Sousa referiu mesmo que o CHEGA pretende que o inquérito incida sobre o período em que o atual secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, tutelou a Proteção Civil enquanto ministro da Administração Interna. E disse estranhar que o PSD pretenda “encobrir” o apuramento de responsabilidades.

Respondeu o deputado do CDS João Almeida que o argumento do receio no apuramento dos factos que estava a ser invocado pelo CHEGA, não fazia sentido, porque o partido de André Ventura já tinha anunciado que iria avançar de forma potestativa com a comissão de inquérito sobre os incêndios.

Do ponto de vista político, João Almeida disse recear que essa futura comissão de inquérito imposta pelo CHEGA se venha a basear mais “em especulações” e em “teorias da conspiração” do que em conclusões em torno de factos em concreto.

Pela parte do PS, André Rijo frisou que grande parte do objeto proposto nos diferentes diplomas a requerer a abertura de comissões de inquérito “já se encontra coberto pela constituição da comissão técnica independente, que foi aprovada este mês” por iniciativa da bancada socialista.

André Rijo admitiu que, mais tarde, eventualmente, “caso se justifique”, o PS até poderá admitir uma comissão parlamentar de inquérito sobre incêndios, mas, numa alusão ao CHEGA, criticou a “ideia de justicialismo”. Uma ideia que, na sua perspetiva, desvaloriza a própria ação da Polícia Judiciária e do Ministério Público.

Também o deputado do PCP Alfredo Maia criticou a “banalização” inerente às propostas de abertura de comissões parlamentares de inquérito, dizendo que o essencial passa pela reversão das políticas em curso para as florestas, sobretudo ao nível do ordenamento, e na valorização dos recursos humanos. Lembrou a este propósito que o PCP se bate por classificar a profissão de bombeiro como sendo de desgaste rápido.

Pela parte do PSD, surgiram duras críticas sobretudo contra a atuação dos partidos que propõem comissões parlamentares de inquérito, com o deputado Amílcar Almeida a dizer que mesmo que se pretende “transformar a dor das populações em aproveitamento político”.

“Estas iniciativas não querem esclarecer nada e as falhas já estão identificadas. Querem atacar o Governo. Estamos perante uma instrumentalização de uma tragédia para dar palco político”, acentuou Amílcar Almeida.

Últimas de Política Nacional

André Ventura deixou esta sexta-feira um desafio direto ao Partido Socialista: apoiar as propostas do CHEGA para baixar os impostos sobre os combustíveis e a aprovar o IVA Zero no cabaz alimentar. O líder do partido acusa o PS de “hipocrisia” e avisa que um chumbo deixará os socialistas sem argumentos depois das posições assumidas durante o verão.
Uma larga maioria dos portugueses considera que o Governo de Luís Montenegro não está a conseguir responder ao aumento do custo de vida nem proteger o poder de compra das famílias. De acordo com a mais recente sondagem da Aximage, 77% dos inquiridos classificam como “inadequada” ou “muito inadequada” a atuação do Executivo da AD perante a subida dos preços da habitação, dos combustíveis e dos bens de consumo.
Nem o chumbo da moção de censura, nem as reservas levantadas no Parlamento, nem os alertas sobre o impacto nas instituições fizeram o CHEGA recuar. O partido de André Ventura mantém a intenção de avançar com uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária, entre 2018 e 2026, para escrutinar contratos, utilização de bens apreendidos e outros episódios ocorridos durante a sua direção.
O presidente do CHEGA acusou a ministra da Justiça de ter transmitido informações falsas ao Parlamento, admitindo duas hipóteses: ou foi enganada pela Polícia Judiciária ou terá procurado “encobrir” o ministro da Administração Interna. Ventura quer que o diretor nacional da PJ seja ouvido no Parlamento para esclarecer que informação foi transmitida.
O CHEGA exigiu explicações sobre o polémico negócio das novas fragatas para a Marinha e Nuno Melo vai mesmo ter de comparecer no Parlamento. A Comissão de Defesa aprovou por unanimidade a audição do ministro da Defesa a pedido do CHEGA sobre a aquisição de três fragatas italianas, num investimento estimado em 3,9 mil milhões de euros, um dos maiores investimentos na Defesa portuguesa.
A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.