IHRU perde o controlo! Mais de 300 casas ocupadas ilegalmente em Lisboa

O Estado está a ser ultrapassado dentro da sua própria casa: cerca de 300 fogos públicos foram tomados ilegalmente e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) admite não ter mãos a medir. Lisboa lidera o caos, os despejos duplicam e a vigilância é impossível num património espalhado por 493 bairros.

© D.R.

Cerca de 300 casas do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), entidade pública portuguesa que promove a política nacional de habitação e reabilitação urbana, encontram-se atualmente ocupadas de forma ilegal, segundo os dados de setembro partilhados com o semanário Expresso. A grande maioria destas ocupações concentra-se na Área Metropolitana de Lisboa, onde a pressão habitacional é mais intensa e a vigilância mais difícil.

O IHRU gere 14.873 fogos destinados à habitação e mais 1.560 frações não residenciais (como garagens e espaços complementares) distribuídos por 493 bairros em 139 municípios. Esta dispersão geográfica, admite o presidente do instituto, Benjamim Pereira, ao Expresso, torna a fiscalização particularmente desafiante: “É humanamente impossível vigiar todos os imóveis. Temos instalações apenas em Lisboa e no Porto, mas gerimos casas desde Vila Real de Santo António até Bragança. Muitas vezes, dependemos dos municípios para detetar problemas.”

As 301 ocupações ilegais registadas dizem respeito, sobretudo, a casas que estavam temporariamente devolutas, fogos à espera de obras após o fim de contratos ou já em processo de atribuição. Ainda assim, as zonas urbanas densas continuam a ser o principal foco de risco: “A Área Metropolitana de Lisboa é a mais problemática”, reconhece Pereira.

Entre janeiro e setembro, conta o Expresso, o IHRU realizou 76 despejos — quase o dobro do total verificado em 2024. Até ao final de 2025, o instituto prevê duplicar novamente este número, graças a um “reforço da fiscalização e a uma estratégia mais ativa de combate às ocupações ilegais”.

“Não estamos contra as famílias. Trata-se de gestão pura e dura. Há pessoas devidamente inscritas e à espera destas casas, e uma ocupação ilegal é sempre uma ocupação ilegal. Não pode ser normalizada”, explica o presidente do IHRU.

A verdade é que as autoridades só podem intervir de imediato em casos de flagrante delito; caso contrário, é obrigatório recorrer aos tribunais, processos que podem demorar entre seis meses e mais de um ano. Nesse intervalo, é frequente um fogo despejado voltar a ser ocupado, sobretudo quando ainda aguarda obras.

“A reocupação descredibiliza o IHRU”, alerta Benjamim Pereira. “Cria-se a perceção de que não conseguimos gerir o nosso património. É fundamental rever a legislação para acelerar estes processos.”

Últimas do País

Partido liderado por André Ventura foi impedido de divulgar uma mensagem política junto à Assembleia da República e avança com uma queixa-crime.
Homem de 63 anos entrou nas urgências do Hospital de Portalegre com dores no peito, recebeu pulseira verde e morreu enquanto aguardava para ser observado. Ministério Público abriu um inquérito.
A GNR de Vila Real identificou 47 pessoas na zona do Gerês, em Montalegre, e uma em Sabrosa por permanecerem em espaço florestal que é proibido durante o período de situação de alerta, disse hoje fonte policial.
Os três suspeitos detidos na quarta-feira por alegada ligação a uma rede organizada de roubos violentos contra idosos e pessoas vulneráveis, nos concelhos de Olhão e Faro, vão ficar em prisão preventiva, informou hoje a GNR.
Tribunal foi informado de que o suspeito desrespeitava a ordem de afastamento, mas nada aconteceu. Homem só acabou preso após voltar a atacar.
Empresa com apenas 14 trabalhadores desenvolveu a plataforma digital dos exames nacionais. Ministério da Educação continua sem esclarecer qual foi o seu papel nas falhas que continuam a afetar mais de 160 mil alunos.
A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) teve cerca de 60 pedidos de intervenção após uma centena de reclamações de clientes na sequência do mau tempo no início do ano, segundo dados enviados à agência Lusa.
Cerca de 50 municípios do interior Norte e Centro e um concelho do distrito de Faro estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
A Provedoria de Justiça está a analisar a situação da falta de abastecimento de água em Almada, no distrito de Setúbal, na sequência de queixas apresentadas por moradores no concelho.
Os cortes noturnos de água no concelho de Almada, no âmbito das medidas para se restabelecerem reservas, vão realizar-se esta noite nas localidades de Trafaria, Raposeira, Corvina, Fonte Santa, Banática e Porto Brandão, anunciou a autarquia.