Incêndios: Região de Leiria sem queimas e queimadas a partir de 2.ª-feira

Os 10 municípios da Região de Leiria vão recusar autorização para queimas e queimadas a partir de segunda-feira e até 30 de setembro, foi hoje anunciado.

© LUSA/ Estela Silva

Deliberámos que, nos 10 municípios da Região de Leiria, ficam suspensas a partir da próxima segunda-feira, dia 01 de junho, as queimas e queimadas, até ao dia 30 de setembro”, disse à agência Lusa o presidente da CIM, Jorge Vala, depois de uma reunião do Conselho Intermunicipal, em Porto de Mós.

Fazem parte da Região de Leiria os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

Segundo o sítio na Internet do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), “é proibido fazer queimas entre 01 de junho e 31 de outubro sem autorização prévia da respetiva câmara municipal”.

“Independentemente das condições climatéricas, a plataforma fica encerrada nos 10 municípios”, declarou Jorge Vala.

Lembrando que esta medida já foi tomada no passado pela CIM, o também presidente da Câmara de Porto de Mós destacou que “é muito importante que seja feita, até porque serve também de alerta”.

“Sabemos que mais de 90% dos incêndios florestais têm origem em mão humana”, afirmou, apelando para que “as pessoas tenham cuidado, em primeiro lugar, mas que sejam também vigilantes em relação àqueles que são eventuais prevaricadores”.

Adiantando que “mais uma semana” e a grande maioria ou mesmo a totalidade dos caminhos florestais estará desimpedida, Jorge Vala reconheceu, neste aspeto, o “trabalho organizado a partir do CIPO [Comando Integrado de Prevenção e Operações]”.

O CIPO, sediado nos Bombeiros Sapadores de Leiria, tem como finalidade a remoção do material combustível acumulado pelas tempestades, a limpeza de áreas críticas, a reabertura de caminhos e a melhoria de acessos.

A redução do risco de incêndio rural antes do verão, num ano em que há milhares de árvores caídas devido às tempestades, é o que Governo pretende com esta estrutura, que envolve os ministérios da Administração Interna, Defesa Nacional e Agricultura e Mar.

Jorge Vala admitiu, contudo, que “vai ficar muito material lenhoso nos terrenos”.

“Este material lenhoso é um combustível seco, portanto, fácil de arder”, referiu, insistindo no apelo à população, para que se evitem grandes incêndios na região e, sobretudo, que não “aconteça uma outra tragédia em cima da tragédia” que ocorreu em 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu gravemente este território.

Sobre a proibição de queimas e queimadas, o autarca salientou ainda que é “um sinal que a Comunidade Intermunicipal dá, estando completamente disponível, com os seus serviços municipais de Proteção Civil, articulando com os bombeiros e com as outras forças de Proteção Civil, [para] ações que possam evitar” grandes incêndios.

Em 08 de maio, o responsável do CIPO, Elísio Oliveira, revelou que cerca de 10 mil quilómetros da rede viária florestal foram desobstruídos nas regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo,

“A rede viária florestal existente ascende a mais de 56 mil quilómetros. Foram identificados mais de 12 mil quilómetros a carecer de intervenção, mas, neste momento, temos já aqui um trabalho de cerca de 10 mil quilómetros, efetivamente, desobstruído”.

No mesmo dia, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, garantiu que o CIPO, inicialmente previsto funcionar até domingo para as regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo, “não tem fim para terminar”, acrescentando-lhe outra valência se houver “uma situação de agravamento relativamente a incêndios”, de também “trabalhar nessa esfera”.

Integram o CIPO, além da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o ICNF, Agência de Gestão Integrada de Fogos Rurais, Guarda Nacional Republicana, Liga dos Bombeiros Portugueses e Estado-Maior-General das Forças Armadas.

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