Marques Mendes divulga 22 clientes e desafia candidatos a revelarem tudo o que possa constituir “conflitos de interesses”

O candidato presidencial Luís Marques Mendes divulgou hoje uma lista com os 22 clientes da sua empresa, na qual se encontram prestações de serviços em consultoria, comentários e participações em conferências, e que inclui a construtora de Famalicão Alberto Couto Alves.

© Folha Nacional

Numa lista enviada à Lusa pela sua candidatura, encontram-se como clientes da sociedade LS2MM, Lda., no âmbito de consultoria estratégica: a Alberto Couto Alves, SGPS, SA; a Associação Portuguesa dos Industriais de Engenharia Energética (APIEE); a Atrys Portugal Centro Médico Avançado, SA, do Porto; a Denominador Comum – Consultoria de Negócios, SA, com sede na Póvoa de Lanhoso; e a Painhas SA, com sede no Porto.

À Lusa, o diretor de campanha, Duarte Marques, desafia os restantes candidatos, “a bem da transparência”, a divulgarem “tudo o que se possa suscitar conflitos de interesses”.

Na sequência de um artigo da revista Sábado, segundo o qual Marques Mendes ganhou mais de 700 mil euros nos últimos dois anos enquanto consultor da Abreu Advogados e da sociedade LS2MM, Lda, o candidato presidencial comprometeu-se a divulgar a lista da sua empresa familiar, após autorização dos clientes, mas não da sociedade de advogados, por colocar em causa o sigilo profissional.

Da lista da sua empresa constam igualmente, no âmbito de conferências proferidas por Marques Mendes: a ARP – Associação Rodoviária de Transportes Pesados ​​de Passageiros; associação de Restaurantes McDonald’s, Brandom – Comunicação, Imagem e eventos, Lda; CBRE – Sociedade de Mediação Imobiliária, Lda; Cimpor – Serviços, SA; Eixo e Debate, Lda; El Circo del Marketing SL; Ger Imotion – Lda; GS1 Portugal; Marketividade – Marketing, comunicação e vendas, Lda; Primavera – Soluções de Software Empresarial, SA; Rede Global, SA; Shopitur, SA; a Tabaqueira II, SA; e Tedcom, Lda.

A SIC Sociedade Independente de Comunicação, SA, aparece na lista pelo espaço de comentários que manteve, assim como a Medipress Sc Jornalística e Editorial, Lda, no âmbito de artigos de opinião.

O diretor de campanha de Marques Mendes salientou, na declaração escrita enviada à Lusa, que o candidato presidencial divulgou esta lista “por dever de escrutínio e porque quem não deve não teme”.

“Cumpriu o que prometeu”, declarou, sublinhando que “o escrutínio deve ser para todos”.

“Isto é escrutínio e é correto. Outra coisa são insinuações vindas de alguns outros candidatos, só demonstram desespero e baixa política”, afirmou Duarte Marques, que disse que “Marques Mendes resolveu fazer algo de inédito em Portugal em termos de transparência: divulgar a lista de clientes com que trabalharam, na sua vida”.

Uma investigação da TVI e Nascer do Sol noticiou que Marques Mendes recebeu cinco mil euros por mês de uma construtora por serviços de consultoria prestados durante seis anos e um mês, através de dois contratos: um de janeiro de 2010 com a duração de cinco anos, e o outro contrato com a empresa familiar LS2MM em janeiro de 2015, que teve uma duração de 13 meses.

O dono da empresa ACA, quando confrontado com estas informações, disse inicialmente que não se lembrava de ter pago cinco mil euros por mês a Marques Mendes durante aquele período, mas, mais tarde, acabou por confirmar à TVI a existência daquela ligação contratual.

A Procuradoria-Geral da República adiantou hoje que não vai abrir um inquérito ou outra averiguação ao candidato presidencial Luís Marques Mendes após uma denúncia anónima sobre contratos com uma construtora por ausência de “facto suscetível de integrar crime”.

“Confirma-se a recepção no DCIAP de uma denúncia anónima, idêntica à que tem sido reproduzida pela imprensa. Analisada a denúncia anónima e os documentos anexos, reportada-se que a informação reportada, de parco detalhe, não descreve qualquer facto concreto suscetível de integrar crime”, pode ler-se numa resposta enviada à Lusa pelo gabinete de imprensa da PGR.

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