Ventura acusa esquerda de “acordos secretos” e exige um Presidente com pulso firme

André Ventura defendeu que um Presidente da República não deve interferir em processos judiciais concretos e acusou os candidatos da esquerda de já terem “chegado a um acordo” político que escondem do eleitorado.

© Folha Nacional

André Ventura, presidente do CHEGA, defendeu esta sexta-feira que um Presidente da República não pode limitar-se a um papel passivo, devendo assumir responsabilidades claras nos momentos críticos da vida política e institucional do país.

Intervindo no debate presidencial transmitido em simultâneo pelas rádios Antena 1, Renascença, TSF e Observador, o candidato presidencial recusou compromissos prévios quanto à atuação do chefe de Estado em cenários de crise orçamental, sublinhando que qualquer decisão deve ser tomada à luz das circunstâncias concretas.

“A minha decisão vai depender do contexto”, afirmou André Ventura, afastando a ideia de automatismos, como a dissolução do Parlamento ou o bloqueio institucional antecipado.

No plano político, o líder do CHEGA acusou os candidatos da esquerda de manterem entendimentos informais que não assumem publicamente.

“Eles já chegaram a um acordo, mas não querem dizer”, afirmou, apontando diretamente ao antigo secretário-geral do PS, António José Seguro, a quem imputou a negação de contactos políticos prévios.

“Até me disse quais eram as eleições mais fáceis para se ser eleito”, acrescentou Ventura, garantindo que existiram conversas políticas que o antigo dirigente socialista rejeita.

Na área da Justiça, André Ventura deixou claro que o Presidente da República não deve intervir diretamente em processos judiciais concretos, mas rejeitou uma postura de silêncio institucional perante falhas graves do sistema.

“Se o Presidente tiver de, em alguns casos, chamar a atenção concretamente e proteger as instituições, deve fazê-lo”, defendeu.

O presidente do CHEGA criticou ainda a ausência de reformas estruturais na Justiça, responsabilizando o PSD pela inação e acusando o PS de tentativas de condicionamento político do sistema judicial. Para Ventura, a função presidencial exige capacidade de intervenção sempre que esteja em causa o funcionamento do Ministério Público ou a confiança dos cidadãos na Justiça.

Questionados sobre a necessidade de clarificar a hierarquia do Ministério Público, João Cotrim Figueiredo (IL) respondeu afirmativamente, enquanto Luís Marques Mendes (PSD) voltou a defender uma reforma mais ampla do sistema judicial — posições que André Ventura considerou insuficientes sem ação política concreta.

Para o líder do segundo maior partido parlamentar, o país precisa de um Presidente que vá além do diagnóstico: “Os portugueses não precisam de um Presidente que faça apenas análises. Precisam de decisões difíceis e de alguém que atue quando o sistema falha.”

Últimas de Política Nacional

A Comissão parlamentar vai analisar a atuação de Luís Neves durante os oito anos em que dirigiu a Polícia Judiciária e apurar eventuais responsabilidades dos membros dos governos que o nomearam e tutelaram. O CHEGA fica com a presidência, enquanto PS e PSD assumem as duas vice-presidências.
Miguel Guimarães, antigo bastonário da Ordem dos Médicos e atual deputado do PSD, é visado por acusações que incluem alegados gastos excessivos, abuso de poder e corrupção passiva.
O CHEGA queria que o Governo português promovesse junto da União Europeia a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. Mas PSD, PS, Livre e Bloco de Esquerda votaram contra.
A concelhia social-democrata corta com Luís Jesus e Alexandra Moura e acusa os dois eleitos de desrespeitarem as orientações do partido.
O CHEGA levou ao Parlamento a descida do IVA dos combustíveis de 23% para 13%, IVA Zero num cabaz de bens alimentares essenciais e o fim das portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. Nenhuma das propostas passou. PSD, PS e CDS-PP juntaram os votos contra nas duas medidas fiscais.
André Ventura defendeu esta quinta-feira, no Parlamento, uma redução da carga fiscal sobre os combustíveis e acusou o Governo de não responder ao aumento do custo de vida.
O CHEGA aceita as duas limitações impostas por Aguiar-Branco e desbloqueia a comissão parlamentar de inquérito. Ventura mantém as críticas à decisão, mas garante que não deixará cair a investigação aos mandatos do antigo diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves.
Autarquia liderada pelo socialista Gonçalo Lopes repartiu trabalhos semelhantes de gestão florestal por cinco procedimentos, todos abaixo do limiar europeu. Dois ficaram a poucos milhares de euros dos 216 mil e, em quatro concursos, as empresas tiveram apenas cerca de 36 horas para apresentar propostas.
O líder do CHEGA acusa José Luís Carneiro de contradição e sustenta que os socialistas preferem preservar o entendimento político com o PSD a transformar em lei aquilo que dizem defender: baixar o IVA nos combustíveis de 23% para 13%.
O partido liderado por André Ventura exige explicações sobre pagamentos identificados pela Inspeção-Geral das Finanças e quer ouvir atuais e antigos responsáveis da televisão pública. Conselho Fiscal e Conselho Geral Independente também são chamados ao escrutínio. “Estamos a falar de recursos que são públicos”, avisa o deputado Daniel Teixeira.