Portugal encerra temporariamente embaixada em Teerão

Portugal determinou na quarta-feira o encerramento temporário da embaixada no Irão, quando ocorrem manifestações massivas contra o regime iraniano, anunciou hoje o Ministério dos Negócios português.

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“O Ministério dos Negócios Estrangeiros informa que foi determinado ontem, 14 de janeiro, o encerramento temporário da embaixada de Portugal no Irão”, refere uma nota de imprensa hoje divulgada.

Segundo a nota, “todos os portugueses naquele país foram contactados, tendo oito cidadãos nacionais já abandonado território iraniano”.

O ministério acrescenta que “alguns cidadãos” estão em processo de saída, sem adiantar mais pormenores “por motivos de segurança”.

Dez cidadãos nacionais, “sete dos quais detêm dupla nacionalidade, portuguesa e iraniana, quiseram permanecer no país”, acrescenta-se na nota.

O Governo português desaconselha “todas e quaisquer viagens ao Irão, como tinha sido já divulgado no Portal das Comunidades Portuguesas”, diante do “contexto de tensão e da situação de conflito armado latente na região, o que resulta em significativo risco securitário”.

O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.

A Iran Human Rights (IHRNGO) elevou para 3.428 as mortes registadas nos protestos que abalam o Irão há mais de duas semanas, alertando que são casos que conseguiu verificar e que o número real deverá ser superior.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e instou os manifestantes a prosseguirem protestos.

Teerão ameaçou realizar um ataque preventivo, alegando, sem apresentar provas, que Israel e os Estados Unidos orquestraram os protestos.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se hoje de emergência para “uma reunião informativa sobre a situação no Irão”, a pedido dos Estados Unidos, anunciou o porta-voz da presidência do Conselho, atualmente nas mãos da Somália.

A reunião do grupo de 15 países está marcada para as 15:00 (22:00 em Lisboa), segundo um comunicado do porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.

O porta-voz do português, Stéphane Dujarric, reiterou na quarta-feira, em conferência de imprensa, que a ONU “está extremamente preocupada” com “as imagens que surgem de manifestantes mortos pela violência durante os protestos”.

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