Centro Europeu alerta para risco de resistência antimicrobiana nas infeções sexualmente transmissíveis

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla em inglês) alertou hoje para o risco de resistência antimicrobiana com o uso frequente de doxiciclina na profilaxia pós-exposição a doenças sexualmente transmissíveis.

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Tendo em conta as diretrizes divergentes dentro da UE, o ECDC elaborou uma informação para apoiar ações de saúde pública em países ou regiões que estão a considerar esta profilaxia como componente de estratégias abrangentes e integradas de saúde sexual e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis de origem bacteriana.

Lembra que, em ensaios clínicos, esta medicação feita como profilaxia pós-exposição – uma dose única de 200 mg nas primeiras 24 horas e, no máximo, até 72 horas após a relação sexual sem preservativo – mostrou-se eficaz na redução da incidência de clamídia e sífilis entre homens que fazem sexo com homens e mulheres transgénero.

Segundo explica, também se mostrou eficaz em contextos reais quando integrada em estratégias abrangentes de saúde sexual para pessoas com alto risco de contrair uma infeção sexualmente transmissível.

No entanto, sublinha, as investigações também indicam que a profilaxia pós-exposição com doxiciclina “pode contribuir para o desenvolvimento de resistência antimicrobiana” em bactérias específicas, não apenas entre utilizadores habituais desta medicação, mas também entre não usuários, seja entre os que fazem parte de redes sexuais, a comunidade mais ampla de homens que fazem sexo com homens ou até na população em geral.

Lembra que, na União Europeia e no Espaço Económico Europeu (UE/EEE), as diretrizes existentes sobre esta profilaxia pós-exposição variam, sendo que algumas autoridades recomendam a sua utilização caso a caso, principalmente para a prevenção da sífilis entre homens que fazem sexo com homens e mulheres transgénero com alto risco de contrair uma IST, enquanto outras desaconselham a sua utilização.

“Estas posições divergentes refletem a incerteza contínua quanto aos benefícios para a saúde pública desta intervenção profilática, ponderados com os seus potenciais malefícios, particularmente o risco de aumentar a resistência antimicrobiana”, sublinha.

Independentemente das recomendações nacionais, o ECDC diz que o uso de doxiciclina como profilaxia pós-exposição (doxiciclina-PEP) está a expandir-se entre homens que fazem sexo com homens na UE, tanto através de prescrição médica como na automedicação.

Em dezembro, o ECDC avisou que as barreiras às medidas preventivas e aos testes às doenças sexualmente transmissíveis, assim como a falta de dados, estão a dificultar o esforço para travar as epidemias de clamídia, gonorreia e sífilis.

No relatório então divulgado, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças revelou um panorama complexo de respostas nacionais e apontou para “aumentos acentuados entre as populações-chave”, alertando para o facto de as taxas de notificação de gonorreia terem aumentado quase 300% entre 2014 e 2023 entre homossexuais, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens.

Na altura, o ECDC apontava ainda para aumentos mais recentes entre os jovens, em particular mulheres com idades entre 20 e 24 anos, com taxas de notificação de gonorreia a aumentarem quase 200% entre 2021 e 2023, e sinalizou uma “necessidade urgente” de respostas nacionais “robustas e inclusivas”.

O objetivo do documento agora elaborado pelo ECDC é apoiar ações de saúde pública em países ou regiões que estão a considerar a doxiciclina-PEP como componente de estratégias abrangentes e integradas de saúde sexual e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis de origem bacteriana.

Na informação, o ECDC sintetiza as evidências atuais sobre a eficácia da doxiciclina-PEP na redução da incidência destas infeções, o impacto desta profilaxia tanto na incidência das infeções como na resistência antimicrobiana a alguns agentes patogénicos, assim como a extensão da utilização e as características das pessoas que a utilizam nos países da UE/EEE.

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