O património cristão europeu enfrenta ameaças relacionadas com incêndios criminosos, vandalismo, roubos e profanações. Em França, o Observatório do Património Religioso alerta para o aumento dos ataques deliberados contra igrejas, num país onde milhares de edifícios religiosos estão em risco de desaparecer. Segundo os dados divulgados pela organização, os incêndios criminosos e as tentativas de incêndio aumentaram 112,5% entre 2023 e 2024.
A dimensão do problema é particularmente preocupante em território francês. O observatório estima que o país perca, em média, um edifício religioso por semana, embora este número inclua também demolições, transformações e colapsos estruturais. A organização refere ainda que cerca de dois terços dos incêndios que atingem estes imóveis apresentam indícios de origem criminosa. Um dos casos mais graves ocorreu em setembro de 2024, quando a igreja da Imaculada Conceição, em Saint-Omer, ficou praticamente destruída por um incêndio.
A preocupação estende-se a outros países europeus. De acordo com o Observatório sobre Intolerância e Discriminação contra Cristãos na Europa (OIDAC), foram identificados 2.211 crimes de ódio anticristãos em 2024, o equivalente a uma média de aproximadamente seis ocorrências por dia. Os incidentes documentados incluem ataques contra locais de culto, destruição de património religioso, ameaças, agressões e outros comportamentos motivados por hostilidade contra cristãos. Este número abrange diferentes tipos de crimes e não corresponde exclusivamente a incêndios em igrejas.
Portugal também surge nos registos internacionais de incidentes anticristãos. Segundo os dados comunicados à Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), organizações da sociedade civil reportaram dois incidentes relativos a 2024.
Além dos ataques deliberados, o Observatório do Património Religioso francês alerta para a vulnerabilidade de milhares de igrejas, sobretudo em zonas rurais. Entre 3.000 e 5.000 edifícios religiosos poderão estar em risco de desaparecimento caso não sejam adotadas medidas de conservação e proteção. Os custos de manutenção, a falta de recursos e o abandono são apontados como fatores que agravam a situação.
Perante este cenário, as organizações dedicadas à defesa do património religioso defendem o reforço da vigilância, da investigação dos ataques e da proteção dos locais de culto. Os dados revelam uma preocupação crescente com os incêndios criminosos e com a persistência de crimes de ódio anticristãos na Europa, levantando questões sobre a segurança das comunidades religiosas e a preservação de edifícios com elevado valor histórico e cultural.