Portugal gasta menos com cancro do que a média europeia

Despesa abaixo da UE e mortalidade acima da média expõem fragilidades no combate ao cancro. Dados da OCDE mostram que a despesa com oncologia representa apenas 5,5% da despesa total em saúde, abaixo da média europeia de 7%.

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Portugal investe menos no combate ao cancro do que a maioria dos países da União Europeia e os dados começam a refletir-se de forma preocupante nos resultados clínicos. Segundo números da OCDE, citados pelo Correio da Manhã (CM), a despesa com oncologia representa apenas 5,5% da despesa total em saúde, claramente abaixo da média europeia de 7%.

O contraste torna-se ainda mais evidente quando comparado com países como a Polónia, onde os custos associados ao cancro absorvem 8% do orçamento da saúde, o valor mais elevado entre os países analisados. Portugal integra, assim, o grupo dos Estados-membros que menos investem numa das principais causas de mortalidade na União Europeia.

Mais inquietantes são, porém, os resultados clínicos, salienta o CM. Uma análise da OCDE a 11 países europeus coloca Portugal como o quarto país com maior taxa de mortalidade nos 30 dias após cirurgia ao cancro colorretal. A taxa nacional fixa-se nos 3,3%, acima da média europeia de 3,1%, levantando sérias questões sobre a eficácia dos cuidados, o acesso atempado aos tratamentos e a qualidade do acompanhamento pós-operatório.

Os números ganham especial significado esta quarta-feira, Dia Mundial do Cancro, voltando a expor o fosso entre o discurso político e a realidade do investimento em saúde.

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