Estado já gastou quase 1,7 milhões para guardar obras de arte de Ricardo Salgado

O erário público pagou mais de 13 mil euros por mês para manter em depósito 75 obras de arte arrestadas a Ricardo Salgado, desde 2015. A fatura aproxima-se dos 1,7 milhões, muito acima do valor proposto para a sua compra.

© LUSA/ANDRE KOSTERS

O Estado já gastou quase 1,7 milhões de euros em rendas, desde 2015, para a guarda de 75 obras de arte arrestadas a Ricardo Salgado no âmbito do processo BES/GES, avança esta terça-feira o Correio da Manhã (CM). As peças estão depositadas na Sala Branca, Lda., em Santarém, que recebe 13.549,68 euros por mês pelo serviço.

O custo veio a público depois de a própria Sala Branca ter apresentado, em outubro de 2025, uma proposta de compra da coleção por 175.300 euros, um valor muito inferior ao montante já pago pelo Estado apenas para a sua conservação. A proposta depende, no entanto, de as obras ficarem livres de ónus judiciais.

De acordo com o CM, a coleção integra quadros, esculturas e fotografias de vários artistas contemporâneos, mas 67 das 75 obras estão penhoradas em processos no Tribunal da Concorrência de Santarém, o que dificulta a venda. Qualquer alienação depende ainda de autorização judicial.

As obras fazem parte do megaprocesso BES/GES, cujo julgamento principal decorre desde outubro de 2024, envolvendo 18 arguidos e mais de 300 crimes. Paralelamente, o Estado prepara uma solução para reduzir custos, prevendo a transferência das obras para a entidade pública Museus e Monumentos de Portugal, através de um protocolo entre a Justiça e o Ministério da Cultura.

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