Incêndios passaram, o dinheiro não chegou: só um terço dos apoios foi pago em seis meses

O Governo prometeu 10 mil euros “quase imediatos” para quem perdeu tudo nos incêndios de 2025. Meio ano depois, os números contam outra história: milhares de candidaturas continuam em espera, travadas por vistorias e mudanças de regras a meio do caminho.

© LUSA/MIGUEL PEREIRA DA SILVA

Seis meses após os incêndios que devastaram o Norte e o Centro do país, a promessa de apoios rápidos, até 10 mil euros e sem burocracia, ficou longe de se concretizar. De acordo com dados divulgados esta terça-feira pelo Expresso, dos 9.303 pedidos apresentados, apenas 3.445 foram efetivamente pagos, segundo informações das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).

O modelo foi anunciado como uma resposta de emergência, destinada a garantir liquidez imediata a agricultores e empresas para a retoma da atividade. O Decreto-Lei n.º 98-A/2025 eliminou a exigência de documentação prévia, mas manteve um elemento crítico: as vistorias técnicas obrigatórias, a cargo das autarquias e das CCDR. Foi precisamente neste ponto que o sistema entrou em bloqueio.

A Região Centro, a mais atingida pelos fogos, nomeadamente nos distritos de Aveiro e Viseu, concentrou 5.110 candidaturas, mas apenas cerca de 1.880 estavam pagas no final de janeiro, refere o Expresso. No Norte, dos 4.193 processos submetidos, apenas 1.565 receberam apoio, deixando mais de 2.600 em espera.

Autarquias denunciam atrasos no terreno

Os municípios alertam para atrasos significativos na validação e pagamento das ajudas. Em Arouca, de 100 pedidos apresentados, apenas 30 foram pagos. “A plataforma funcionou, mas a máquina técnica não acompanha a dimensão da tragédia”, resume o presidente da Câmara de São Pedro do Sul, apontando para explorações agrícolas que entraram em 2026 sem sequer terem sido alvo de vistoria.

A situação agravou-se com a entrada em vigor da Lei n.º 1/2026, que elevou o teto do apoio simplificado de 10 mil para 15 mil euros, conta o Expresso. Para garantir igualdade de tratamento, milhares de processos que estavam em fase de pagamento foram suspensos para reavaliação, aumentando o número de candidaturas pendentes, confirmam fontes das CCDR.

Perante a lentidão do Estado, alguns municípios optaram por avançar com soluções próprias. Em Sernancelhe, onde cerca de 75% do território foi consumido pelas chamas, a autarquia criou um fundo municipal de 500 mil euros, destinado a apoiar agricultores em 2026 e 2027, complementando as indemnizações nacionais.

Últimas do País

Um menino autista de seis anos ficou sem as terapias de que depende para o seu desenvolvimento depois de denunciar aos pais uma alegada agressão durante uma sessão. A família acusa o hospital de responder à denúncia com a suspensão do tratamento e prepara uma queixa-crime.
Sandra Pereira revelou estar em tratamento oncológico e afirmou que nunca deixou de trabalhar. Contudo, "esta não é a realidade dos portugueses. Nem todas as pessoas conseguem por inúmeros fatores", tal como evidenciou a deputada do CHEGA Cristina Rodrigues.
O líder do CHEGA acusa Governo de abandonar quem trabalha e desconta para viabilizar a Prestação Social Única com o apoio do PS. O partido liderado por André Ventura votou contra o diploma.
Um homem esfaqueou hoje uma mulher num centro comercial de Leiria, pôs-se em fuga de imediato e acabou detido em Lisboa, confirmou à agência Lusa fonte da Polícia de Segurança Pública (PSP).
A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) manifestou-se hoje contra a decisão do INEM de excluir as motas de emergência pré-hospitalar do financiamento às associações, alegando que apresentam "resultados muito positivos" no socorro à população.
Os dados do INE confirmam uma transformação demográfica acelerada: em 27 municípios, os residentes estrangeiros ultrapassam os 20% da população e, em Odemira, já são mais de 52%.
Quatro homens, com idades entre 28 e 50 anos, foram detidos no concelho de Alcobaça por suspeita de tráfico de droga e posse de armas, informou hoje a GNR, acrescentando ter apreendido mais de 800 doses de cocaína.
A Unicef Portugal defende que nas consultas de acompanhamento de crianças deveria ser possível verificar se os pais têm condições para criar os filhos, a propósito de um estudo divulgado hoje sobre a prevenção da violência contra menores.
O CHEGA quer reforçar os meios de combate ao tráfico de seres humanos em Portugal, depois de Portugal ter registado o maior número de vítimas dos últimos 15 anos. A proposta foi entregue no Parlamento e surge numa altura em que as autoridades continuam a sinalizar centenas de casos ligados à exploração laboral, sexual e outras formas de abuso.
O entendimento alcançado entre PSD e PS para viabilizar a Prestação Social Única mantém a possibilidade de acesso a apoios sociais sem a exigência de um período mínimo de descontos para a Segurança Social, uma das principais condições defendidas pelo CHEGA.