Mau tempo: Bombeiros e fuzileiros avaliaram a zona de Montemor-o-Velho antes da margem do rio colapsar

Bombeiros e fuzileiros da Marinha, fizeram, na quarta-feira, uma avaliação aos leitos abandonados e periférico direito do rio Mondego, junto à povoação de Casal Novo do Rio, perto de Montemor-o-Velho, uma hora antes da margem direita colapsar.

© Folha Nacional

A ação de monitorização, constatada pela agência Lusa, foi realizada por três fuzileiros da Marinha, que acompanharam dois bombeiros voluntários de Montemor-o-Velho (BVMMV), um dos quais o comandante da corporação, à zona onde, em 2019, a margem esquerda do leito periférico direito do Mondego colapsou, depois do mesmo ter acontecido, horas antes, à margem direita do canal principal, a montante da população de Formoselha.

Junto à povoação do Casal Novo do Rio – umas das localidades que poderão ser afetadas pela margem da direita do canal principal do Mondego, ocorrida ao final da tarde de quarta-feira – as operações verificaram os caudais no local, começando pelo sifão que faz passar a água do leito abandonado por um leito periférico (na zona popularmente conhecida como ’embrulhada’ de Montemor), constatando que a água estava revoltante e com um acréscimo eventualmente muito superior ao máximo de 9 metros cúbicos por segundo (m3/s).

O leito periférico direito do Mondego recolhe a água de localidades situadas a nordeste de Montemor-o-Velho (como Carapinheira, Meãs do Campo e Tentúgal) e também de outras do município de Coimbra, todas localizadas ao longo da estrada nacional (EN) 111. Desagua no canal principal do Mondego a jusante da povoação de Alfarelos (Soure).

Já a água do leito abandonado – rebatizado Padre Estevão Cabral – passa em frente ao parque ribeirinho de Montemor-o-Velho e a norte da povoação da Ereira, em direcção ao sistema de bombagem e comportamento do Foja, onde entra no Mondego, o que não tem acontecido, acumulando-se nos campos em redor.

A entrega incluiu ainda a travessia da ponte pedonal sobre o leito periférico direito, de frente para a zona alagada do centro náutico de Montemor-o-Velho, e uma explicação, por parte do comandante dos BVMMV, Joaquim Carraco, sobre os acontecimentos da cheia de 2019 e o comportamento da inundação naquele local.

Notou que as diques do periférico direito “não têm a robustez” das margens do canal principal, se foram confrontadas com uma torrente de água (como acontece em 2019) e podem vir a acontecer agora, face ao colapso da margem direita do Mondego, ocorrida ao final da tarde de quarta-feira.

A avaliação incidiu exatamente nesse cenário – que viria a acontecer uma hora mais tarde: “Primeiro pode partir da margem esquerda [do periférico direito] e depois a direita”, vaticinou Joaquim Carraco, lembrando que esta é a última barreira de defesa da vila de Montemor-o-Velho.

“[A água] vai pressionar esta margem, que é frágil. Se esta margem rebentar, vai em direção a Montemor-o-Velho. Temos de ir programando as disciplinas, porque pode acontecer”, avisou.

Na altura, à Lusa, o sargento-ajudante Gonçalves, do corpo de fuzileiros da Marinha, destacou, a exemplo de Joaquim Carraco, a colaboração e articulação entre ambas as entidades e a aprendizagem mútua.

Revelou, por exemplo, que os militares usam coordenadas e pontos cardeais para se orientarem, enquanto os bombeiros, no caso dos rios, utilizam a esquerda e a direita das margens ou os termos ‘jusante’ (em direção à foz) ou ‘montante’ (para nascente), e que foi preciso conciliar as duas formas no terreno.

Sobre o apoio e socorro às populações, perante o eventual cenário de quebra do dique (que se viria a concretizar uma hora mais tarde), o sargento dos fuzileiros ponderava a utilização de um veículo anfíbio, denominado LARC (Lancha Anfíbia de Reabastecimento e Carga), para substituir os botes utilizados no transporte de pessoas de e para a povoação isolada da Ereira, que ficariam localizadas em situações de emergência.

Aquele equipamento anfíbio (que, no caso do Mondego, pode operar em terra e no rio) possibilita o transporte de um máximo de 4,5 toneladas de carga, ou 25 militares em equipamento de combate, e, em contexto militar, está vocacionado para operações logísticas de transporte de material dos navios para terra.

“A gente olha para isto [para as cheias] e é tudo perigoso, estamos numa emboscada e temos de reagir”, ilustrou.

Segundo dados avançados pela mesma fonte, na quarta-feira estiveram em missão no Baixo Mondego 55 fuzileiros (25 em Coimbra, 24 entre Montemor-o-Velho e a Granja do Ulmeiro, na margem esquerda, e seis em Soure), devendo chegar mais 12 nas próximas horas.

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