Alcácer do Sal contabiliza 30 milhões de prejuízos e reclama apoio urgente

A Câmara de Alcácer do Sal tem contabilizados cerca de 30 milhões de euros de prejuízos, um mês após as cheias que atingiram o concelho, e continua a reclamar “apoio urgente” para “salvar os negócios”.

© LUSA

Em declarações à agência Lusa, a presidente deste município do distrito de Setúbal, Clarisse Campos, indicou hoje que o levantamento feito até à última sexta-feira aponta para “cerca de 10 milhões de euros [de prejuízos] nos particulares [e] cerca de 20 milhões” ao nível municipal.

“Isto são números de um primeiro levantamento que fizemos para enviar” à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, que não inclui os danos no setor agrícola, afirmou a presidente da autarquia, eleita pelo PS.

Segundo a autarca, que recebeu hoje a visita de uma delegação de deputados da comissão parlamentar de Agricultura e Pescas, o montante de 20 milhões de euros de prejuízos em várias infraestruturas municipais inclui a “rede viária, património municipal [e] equipamentos”.

Questionada pela Lusa, Clarisse Campos disse ter insistido junto dos deputados para a necessidade de “salvar os negócios” afetados pelas inundações, defendendo que, para que tal aconteça, o município precisa do “apoio urgente” do Governo.

“Passou um mês e o único dinheiro que ‘anda à frente’ é o dinheiro do município porque, da parte do Governo, não temos nada”, lamentou.

A autarca argumentou que, no encontro de hoje, no qual participaram entidades ligadas ao setor agrícola, transmitiu aos deputados que “a CCDR Alentejo não tem um único cêntimo na conta para ajudar o Município de Alcácer e os outros municípios do Alentejo” afetados pelo mau tempo.

“Também os agricultores estão bastante preocupados, porque o ministro [da Agricultura] esteve cá e prometeu apoios e, até agora, não vimos nada”, alegou.

Contactada pela Lusa, fonte da Associação de Orizicultores de Portugal disse que os prejuízos ainda estão a ser contabilizados, uma vez que ainda há campos agrícolas submersos.

A mesma fonte estimou que na próxima semana seja possível avançar um montante global dos danos no concelho de Alcácer do Sal.

Já sobre as declarações do ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que, na sexta-feira, em Évora, disse que o Governo está a estudar a atribuição de apoios financeiros a fundo perdido a pequenos empresários, Clarisse Campos disse não ter ficado com garantias suficientes.

“Não fiquei com uma ideia muito positiva sobre essas declarações. Espero, sinceramente, que o ministro considere esses apoios a fundo perdido porque eles são muito bem vindos, mas não ficou para mim assim tão claro que esses apoios viessem e isso preocupa-nos”, afirmou.

Além do encontro, que contou também com responsáveis da Agência Portuguesa do Ambiente e da CCDR do Alentejo, os deputados visitaram o Cais Palafítico da Carrasqueira, que está a ser reabilitado depois de ter sido parcialmente destruído pelo mau tempo.

“Falámos com pescadores e percebemos que os apoios que foram lançados para a pesca carecem de uma adaptação às características da nossa comunidade piscatória”, explicou a autarca, que vai solicitar uma nova deslocação ao terreno do secretário de Estado das Pescas.

Dos cerca de 29 pescadores da Carrasqueira que estão “há dois meses praticamente sem rendimento”, apenas “16 foram elegíveis para as candidaturas aos apoios”, explicou.

“Os pescadores relataram que só pescam durante meio ano” e, por essa razão, “não conseguem corresponder aos 120 dias nos dois últimos anos” solicitados pelas candidaturas, acrescentou.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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