Médico diz que participou do INEM por falta de garantias sobre presidentes de emergência

O médico Vítor Almeida afirmou hoje que recusou liderar o INEM em 2024 devido à falta de garantias do Ministério da Saúde sobre o serviço de helicópteros de emergência médica, alegando que a solução passava por ajuste direto.

© Facebook / INEM

“Não iria ser eu a destruir” o serviço de transporte aéreo de emergência médica, disse Vítor Almeida na comissão parlamentar de inquérito ao INEM, salientando que, depois de ter sido convidado para o cargo, pediu garantias, por escrito, à ministra Ana Paula Martins.

No início de julho de 2024, o Governo escolheu Vítor Almeida para presidir ao INEM, de forma interina, mas o médico recusou aceitar o cargo poucos dias depois, o que levou o Ministério da Saúde a nomear o militar Sérgio Dias Janeiro.

Na altura, o ministério explicou que, nos contactos com a tutela, o médico anestesista “concluiu que não estavam reunidas as condições para assumir a presidência do INEM, por razões profissionais e face ao contexto atual do instituto”.

“[Perante a falta de garantias escritas da ministra da Saúde], a “minha decisão foi muito clara e, tranquilamente, os caminhos separaram-se”, adiantou o médico.

Aos deputados, referiu ainda que percebeu que o “problema era a Secretária de Estado” da Gestão da Saúde da altura, Cristina Vaz Tomé, salientando ainda que a ministra “foi sempre muito correta”.

“Tive a clara impressão de que quem assumia a pasta [referindo-se à ex-secretária de Estado Cristina Vaz Tomé] não só não estava preparada, como estava muito mal informada sobre o INEM”, afirmou Vitor Almeida, acrescentando: “Foi das poucas não reconduzidas e muito bem. Fiquei aliviado”.

Vítor Almeida avançou ainda que foi ele que propôs a Ana Paula Martins a refundação, não apenas do INEM, mas de todo o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) e a constituição de uma Comissão Técnica Independente, à semelhança da criada após os fogos florestais.

Manifestou-se também “muito triste” com o relatório produzido pela Comissão Técnica Independente (CTI) criada pelo Governo, alegando que inclui erros factuais e uma série imprecisões “que são extremamente preocupantes”.

O responsável disse que o relatório da CTI denota “uma agenda clara que abre portas para a privatização do socorro em Portugal”, quando o país deveria focar-se em “fortalecer as estruturas nacionais públicas”.

“Não haver um Estado forte na emergência pré-hospitalar fragiliza o sistema”, considerou Vítor Almeida.

O responsável disse nunca ter sido contactado pela comissão independente e lamentou que esse relatório esteja a servir atualmente para “discutir a futura lei orgânica do INEM”.

Alertou que “não se sabe o que está em cima da mesa” na nova lei orgânica que o Governo vai aprovar para o instituto, alegando que se trata de um assunto demasiado relevante para a segurança nacional para ser apenas “discutido em gabinetes ministeriais”.

Criticou igualmente a proposta da CTI para externalizar a formação, defendendo que o INEM deve mantê-la e não privatizá-la, mas admitiu a necessidade de criar uma entidade à parte para “separar a fiscalização da prestação do serviço”.

Insistiu na necessidade de alargar a formação dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH), defendendo que devem atuar sempre sob supervisão medica. Defendeu que a criação da profissão de TEPH “é fundamental” e que isso traria “gente formada em número suficiente para servir o país”.

“A profissionalização é o caminho”, acrescentou.

Os deputados da comissão de inquérito estão a apurar a atuação do INEM durante a greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar no final de outubro e início de novembro de 2024, durante a qual se registaram 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, assim como a relação da tutela com o instituto desde 2019.

 

Últimas do País

Um homem de 34 anos suspeito de vários assaltos a postos de abastecimento de combustível, e outros estabelecimentos comerciais ocorridos nos últimos meses em Aveiro, vai aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva, informou hoje a PSP.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve na quinta-feira, no Aeroporto de Lisboa, uma mulher procurada pelas autoridades da Dinamarca, país de onde fugiu acompanhada por um filho menor, à guarda do progenitor, foi hoje divulgado.
O homem de 49 anos que tinha sido detido este mês por suspeita de atear vários incêndios florestais em Águeda, no distrito de Aveiro, voltou a ser detido pelo mesmo crime, informou hoje a Polícia Judiciária (PJ).
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve em Lisboa um cidadão estrangeiro, de 32 anos, procurado pelas autoridades brasileiras por um crime de tráfico de droga, foi hoje divulgado.
A GNR contabilizou hoje de manhã 380 camiões na marcha lenta organizada por empresários do setor das terraplanagens e realçou que o protesto decorreu sem incidentes.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) registou um total de 99 acidentes nas estradas da Região Autónoma da Madeira na última semana, que fizeram 29 feridos, quatro dos quais graves, e uma vítima mortal.
Luísa Ribeiro integra uma das equipas candidatas à liderança da televisão pública, mas mantém um processo contra o Estado e a Presidência do Conselho de Ministros, precisamente a área governativa que tutela a RTP. Caso estará relacionado com a sua saída da administração da AIMA.
O Ministério Público (MP) acusou de homicídio qualificado um homem de 51 anos que, em dezembro de 2025, matou a golpes de enxada uma vizinha de 71 anos em Adaúfe, Braga, por causa de uma dívida de 35 euros.
O Presidente da Junta de São Marcos da Serra é acusado de ter feito uma denuncia falsa à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens depois de estes o terem enfrentado. Questionado pela Sábado sobre se ainda tem condições para continuar, Márcio Coelho responde: "Obviamente".
O presidente do CHEGA, André Ventura, lamentou hoje a morte de uma bombeira de 24 anos que combatia um incêndio florestal em Resende e destacou a sua "coragem, dedicação e sacrifício".