Igreja prevê despesa total de três milhões com abusos sexuais em Portugal

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) estimou hoje que as investigações internas dos abusos, o apoio às vítimas e as compensações implicaram uma despesa total de três milhões de euros à Igreja em Portugal.

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Todo o processo de compensações às vítimas e custos processuais “vai chegar próximo dos três milhões”, explicou José Ornelas, em declarações à Lusa.

As vítimas de abuso sexual na Igreja Católica vão receber entre nove mil e 45 mil euros e já foram aprovados 57 pedidos, faltando definir montantes para nove casos, perfazendo, até ao momento, o valor de 1.609,650 euros.

A este valor soma-se um milhão de euros em despesas para “outras coisas que foram feitas de assistência psicológica, psiquiátrica e medicamentosa para as vítimas” e os custos das comissões de acompanhamento ou do Grupo VITA (um grupo constituído para dar apoio às vítimas).

“O trabalho foi iniciado pelas dioceses, contou com apoio de comissões nacionais e depois da coordenação nacional” e a Igreja quis também criar regras transversais para lidar com o fenómeno dos abusos e prevenir casos futuros.

“As recomendações são uma forma de ajudar também esse contexto”, com um “tratamento psicológico que se foi estender a todas as pessoas que se registaram”.

“Procurou-se acertar o passo, criando também as normas necessárias para balizar e criar uma cultura que fique para a Igreja, mas também para este país”, acrescentou.

Citando um dos elementos de uma das comissões, José Ornelas recordou que os casos registados na Igreja em Portugal correspondem a uma “percentagem baixíssima” do que se passa noutros espaços da sociedade portuguesa, como é a “instituição familiar e outras instituições onde se cria confiança” em relação às vítimas.

Há casos que estão a decorrer nos tribunais e investigações no Ministério Público e José Ornelas espera que as “instituições do país funcionem para que essa investigação possa ser feita de uma forma isenta e também para que as pessoas possam ser convocadas” pelas autoridades.

Ao longo do processo na Igreja, “eu posso chamar uma pessoa para vir depor, mas não posso obrigá-la”, recordou José Ornelas.

A “compensação não é para anular a dor ou os problemas causados”, mas para que a Igreja assuma o “sofrimento injusto que foi feito” às vítimas, explicou, salientando que a “maioria aceitou a proposta de compensação atribuída”.

Cerca de metade das compensações foi assumida pelo fundo da própria CEP, cabendo o resto das despesas às dioceses, em proporção à sua dimensão e não à origem dos casos relatados.

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