Nova vaga de imigração ilegal atinge Canárias: 763 estrangeiros em três semanas e nova vaga a caminho

Nove embarcações chegaram em menos de um mês e centros já estão no limite. Autoridades admitem cenário crítico e temem agravamento nos próximos dias.

© Facebook Open Arms

As Ilhas Canárias voltam a registar um aumento significativo da imigração ilegal pela rota atlântica, com números que reacendem os alertas das autoridades. A informação é avançada pelo jornal espanhol La Gaceta, que indica que, em apenas três semanas, entre 18 de março e 7 de abril, chegaram ao arquipélago nove embarcações, entre pateras e cayucos, transportando um total de 763 imigrantes.

O volume de chegadas, acima do habitual para este período, evidencia a reativação de uma das rotas mais perigosas e imprevisíveis de acesso à Europa, voltando a colocar o arquipélago sob forte pressão.

De acordo com a mesma fonte, a ilha de El Hierro foi a mais afetada, concentrando vários desembarques em poucos dias. Também Tenerife, Fuerteventura, Gran Canaria e Lanzarote receberam embarcações provenientes de diferentes pontos da costa africana, nomeadamente de Marrocos, da região do Sahel, da Gâmbia e do Saara.

O impacto é já visível nos sistemas de acolhimento. O centro instalado no quartel de Las Raíces, em Tenerife — o maior do arquipélago — acolhe atualmente entre 2.300 e 2.400 pessoas, num cenário descrito por fontes policiais como crítico. As mesmas fontes apontam para incidentes frequentes, incumprimento das normas internas e dificuldades crescentes na gestão diária do espaço.

Segundo o La Gaceta, entre os principais problemas identificados estão entradas fora do horário permitido, a presença de indivíduos sob o efeito de substâncias e episódios de tensão recorrente, agravados por falhas na aplicação das regras.

A pressão estende-se a outros pontos do arquipélago, com centros em El Hierro e Fuerteventura também próximos do limite da sua capacidade. As autoridades admitem que este aumento não será pontual. Há indicações de que novas embarcações já terão partido recentemente das costas da Gâmbia e do Senegal, encontrando-se em rota para as Canárias.

O cenário é ainda agravado pela redução dos meios de vigilância na origem. A diminuição da presença aérea espanhola em zonas estratégicas da África Ocidental compromete a deteção precoce das saídas, permitindo que mais embarcações iniciem a travessia sem serem intercetadas.

Enquanto Marrocos mantém algum controlo sobre o seu litoral atlântico, outras zonas, nomeadamente no Saara Ocidental, continuam com fiscalização limitada, funcionando como pontos de partida cada vez mais utilizados.

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