Na última década, os mais vergonhosos ataques à Autonomia da Madeira não têm vido daqueles que, na República, nunca esconderam a sua aversão ao sucesso de um povo que soube erguer-se no meio do Atlântico, apesar de décadas de centralismo e de políticas persecutórias, discriminatórias e coloniais. Esses ataques, por mais ruidosos que sejam, são claros, identificáveis e combatíveis. Muito pelo contrário, o verdadeiro problema tem nascido dentro de portas, na mediocridade, na falta de nível, no egoísmo e na degradação política de governos regionais que, sob a liderança de Miguel Albuquerque, têm transformado a Autonomia num instrumento político ao serviço de interesses privados.
Como tem sido tornado evidente e indesmentível, a Madeira de Miguel Albuquerque deixou de ser exemplo de gestão pública e afirmação autonómica para se tornar, perigosamente, num território onde prosperam negociatas, onde prolifera o compadrio, onde propaga o amiguismo e o onde o sucesso não depende do mérito, do trabalho ou da competência, mas das ligações ao poder e da proximidade ao círculo restrito que gravita em torno do presidente do governo regional.
Isto não é Autonomia, mas a captura do poder público por um sistema fechado, onde poucos beneficiam à custa de muitos serem empurrados para a estagnação, para a pobreza, e para o triste papel de pagadores da conta pública, sem receberem em troca oportunidades reais de progresso e afirmação.
Mais grave ainda, a Autonomia passou a ser confundida com corrupção. Aliás, a Região vive o embaraço de ter mais de uma dezena de actuais e antigos governantes constituídos arguidos em três processos diferentes, todos eles relacionados com abuso de poder e favorecimento indevido, formando um lamentável padrão que mancha instituições, descredibiliza as instituições públicas e compromete a credibilidade de um modelo que deveria servir o Povo, mas, na verdade, serve-se dele.
A tudo isto soma-se uma gestão política marcada pelo despesismo e pela opacidade, com milhões gastos em viagens, jantares e projectos de utilidade duvidosa, que contrastam penosamente com uma realidade social cada vez mais dura. Como demonstra a frieza dos números, temos quase duzentas pessoas a viver nas ruas do Funchal, mais de sete mil dependentes de ajuda alimentar e acima de vinte por cento da população a viver na pobreza. No entanto, o governo gasta mais de cento e vinte mil euros em viagens à Venezuela, mais de meio milhão num jantar nos Estados Unidos, três milhões numa lagoa privada e mais de setenta milhões em campos de golfe.
São estas as prioridades? E quem é que as sufragou?
Pouco a pouco, mas sem cessar, criou-se uma casta política e empresarial que vive de esquemas, enquanto a maioria enfrenta precariedade, salários baixos e dificuldades em aceder a habitação digna, mobilidade a preços decentes e cuidados de saúde eficazes. A Autonomia, tão nobre valor, que deveria ser instrumento de justiça, foi deturpada, vilipendiada, manietada e transformada num mecanismo de perpetuação de privilégios.
Urge romper com este ciclo! Pois, se há quem trate a Madeira como um feudo de um grupo fechado, que decide tudo em função dos seus interesses, há também um CHEGA que acredita que a Autonomia não é um negócio, nem um instrumento de enriquecimento, nem, tão pouco, um escudo para a impunidade – mas um direito dos madeirenses, que deve ser defendido com seriedade, transparência e sentido de responsabilidade. Estamos determinados a pôr fim a estes vícios e totalmente focamos em devolver a Autonomia ao seu propósito original: Servir o Povo!