O CHEGA e o legado de Sá Carneiro

Durante demasiado tempo, o sistema político português tentou aprisionar Francisco Sá Carneiro à nostalgia, à memória e às cerimónias vazias de ocasião, transformando um homem de combate num retrato pendurado na parede de um regime que traiu quase tudo aquilo que ele defendeu. Mas a verdade é mais incómoda para os donos do sistema, pois, por muito que não gostem, o CHEGA é, hoje, o verdadeiro herdeiro do pensamento social e da filosofia política de Sá Carneiro. Sem qualquer dúvida, é no CHEGA que Sá Carneiro vive e é no CHEGA que a sua voz continua a ecoar com profundidade, força e actualidade. Em específico, são cinco os grandes traços de Sá Carneiro que sobrevivem no partido de André Ventura.

O primeiro desses traços é o personalismo, isto é, a convicção de que a pessoa humana deve estar no centro da acção política, social e económica. Sá Carneiro recusava um Estado que esmagasse indivíduos, famílias e comunidades sob o peso da burocracia, da ideologia e da máquina partidária. Na verdade, via a realização integral da pessoa humana — na família, no trabalho, na cultura, na espiritualidade e na participação cívica — como o verdadeiro fim último da política. E é exactamente isso que o CHEGA continua a defender, num tempo em que tantos partidos preferem tratar cidadãos como números, dependentes ou peças descartáveis de engenharia social.

O segundo legado de Sá Carneiro que permanece vivo no CHEGA é o reformismo. O reformismo sério, profundo e estrutural. A recusa da estagnação, do conformismo e do imobilismo de um sistema político-constitucional que se tornou refém de interesses instalados, de compadrios e de parasitas que vivem à sombra do Estado. Sá Carneiro compreendeu, como ninguém, que Portugal precisava de ruptura, de coragem e de reformas que libertassem o país da mediocridade. E é precisamente essa luta que o CHEGA trava hoje contra um regime acomodado, corrupto e incapaz de responder aos desafios nacionais.

A terceira lição de Sá Carneiro é o humanismo cristão, isto é, a ideia de que a política não é apenas técnica, cálculo ou gestão, mas missão, ética e serviço. A ideia de que a justiça social nasce da dignidade humana e dos princípios que emanam da nossa matriz judaico-cristã. Sá Carneiro sabia que uma sociedade sem valores acaba, inevitavelmente, capturada pelo vazio moral e pelo egoísmo materialista. Também por isso o CHEGA defende a vida, a família, a autoridade, o mérito, a responsabilidade e os valores civilizacionais que fizeram Portugal existir como Nação ao longo de séculos.

A quarta lição de Sá Carneiro é a descentralização e a Autonomia, espelhadas na convicção de que o poder deve estar próximo das populações e de que cada parcela do território nacional possui identidade própria, necessidades próprias e objectivos próprios. Sá Carneiro compreendia a importância das regiões autónomas e das autarquias enquanto instrumentos de afirmação das comunidades locais e de equilíbrio nacional. E é também por isso que o CHEGA assume, sem ambiguidades, a defesa das Autonomias Atlânticas, da valorização do poder local e do respeito pela diversidade interna de Portugal.

Finalmente, o quinto legado de Sá Carneiro é a ideia de um partido de luta. Um partido que se forja no combate político, que cresce na pedra e no fogo da luta política e que compreende que é contra que ganha. É contra a corrupção que ganha. É contra o compadrio que ganha. É contra a imigração descontrolada que ganha. É contra o desmantelamento faz Forças de Segurança que ganha. É na revisão constitucional, na reforma da República e na construção de um futuro mais digno para Portugal e para os portugueses que ganha. Porque partidos nascidos do conforto raramente mudam países, mas partidos nascidos da luta podem – mesmo! – mudar a História.

É também por isto que tanto incomodamos. Porque o CHEGA rompe com décadas de acomodação e recupera uma tradição política que o sistema julgava domesticada. Uma tradição de coragem, de combate e de visão nacional. Uma tradição que acredita num Portugal inteiro, unido e soberano — do Minho às Regiões Autónomas, passando pela diáspora espalhada pelo mundo — sob a mesma bandeira, a mesma memória, o mesmo destino de povo, Nação e raça histórica. Seguimos, sem hesitar – rumo à IV República!

Artigos do mesmo autor

O colapso da ordem pública não caiu do céu. Não nasceu do acaso. Não apareceu de um dia para o outro. Muito pelo contrário, aquilo que hoje se vive nas ruas portuguesas — a insegurança crescente, o aumento da violência, o medo constante e a sensação de impunidade — resulta de escolhas deliberadas, feitas durante […]

Há uma pergunta que ecoa, insistente e incómoda, nos salões do regime e em certas redações rendidas: Porque é que odeiam o CHEGA? Não é um ódio ingénuo, nem um reflexo espontâneo. É um ódio denso, disciplinado, deliberado. Um ódio que corrói quem o sente e quem o espalha. Um ódio que nasce do medo. […]

Na última década, os mais vergonhosos ataques à Autonomia da Madeira não têm vido daqueles que, na República, nunca esconderam a sua aversão ao sucesso de um povo que soube erguer-se no meio do Atlântico, apesar de décadas de centralismo e de políticas persecutórias, discriminatórias e coloniais. Esses ataques, por mais ruidosos que sejam, são […]

Para os portugueses que vivem das regiões autónomas, a mobilidade aérea, isto é, a capacidade de viajar, por avião, para fora dos seus arquipélagos de residência não é um luxo, nem, tão pouco, um capricho, mas uma necessidade fundamental e incontornável, que resulta, directamente, das condições de periferia, insularidade e, por vezes, dupla-insularidade em que […]

Durante décadas, o PSD foi o principal defensor da Autonomia da Madeira na República, assumindo com clareza a exigência de respeito pelos madeirenses enquanto portugueses de pleno direito e pela necessidade de um tratamento diferenciado decorrente da insularidade e da ultraperiferia. Alberto João Jardim, Mota Amaral e deputados como Guilherme Silva, Correia de Jesus, Hugo […]