Mau tempo? Reposição total das comunicações fixas até ao verão

O coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País disse à agência Lusa que a reposição total dos serviços de comunicações fixos, afetados na sequência do mau tempo, pode ocorrer até ao verão.

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“Na última semana, o ritmo da reposição é de cerca de 2.500 reposições por semana (…), esperando-se que, continuando este ritmo, até à entrada do verão e não no outono [como avançado pelas operadoras], possamos ter esta parte do telefone fixo totalmente reposto”, declarou Paulo Fernandes.

Cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações, praticamente três meses depois de a depressão Kristin ter atingido o país, revelou a Autoridade Nacional de Comunicações.

Paulo Fernandes explicou que esta situação “é, sobretudo, na Região de Leiria, claramente a zona que continua mais afetada, não tanto dentro das zonas urbanas”.

“Na zona de Leiria temos uma grande pulverização de habitações fora dos contextos dos núcleos urbanos, o que, obviamente, faz com que haja milhares e milhares de postes que têm de ser repostos, às vezes para núcleos e para habitações muito dispersas, o que tem dificultado a velocidade que todos gostaríamos nessa reposição”, admitiu.

Confrontado com a existência de pessoas impossibilitas de pedir socorro porque não têm o serviço de telefone fixo reposto, como alertaram dois presidentes de junta do concelho de Leiria, o coordenador da Estrutura de Missão afirmou não ter “reporte de nenhuma situação em concreto”.

Paulo Fernandes começou por explicar que, aquando da reposição das comunicações móveis, foi feito “um trabalho imenso em articulação” com várias entidades e com a disponibilização de equipamentos, para “tentar mitigar naquele momento uma situação muito complexa e muito grave de ausência de comunicações móveis no território”.

“Sabemos que hoje a percentagem de pessoas sem qualquer tipo de comunicação móvel ou fixa, em termos gerais, é muito mais baixa, porque hoje as comunicações móveis são, de facto, bastante presentes”, continuou.

Segundo o coordenador, na situação suscitada por autarcas, o protocolo de atuação passa por “reforçar o serviço de proximidade, seja através da ação social municipal” ou de “apoio ao domicílio, nomeadamente das entidades do setor social”.

“E se for necessário, uma sinalização direta dos casos, para ver se junto às operadoras [de comunicações] pode haver alguma prevalência em termos de atuação mais rápida para a reposição desse caso”.

Acreditando que esta “seja uma situação relativamente pontual que possa estar a acontecer nalguma freguesia destas zonas que ainda não têm telefones fixos”, Paulo Fernandes admitiu que “possam ser distribuídos até sistemas móveis, para que ninguém fique sem a possibilidade de ter contactos”.

“Essa é a sequência, mas volto a dizer que, ao dia de hoje [24 de abril], nos nossos contactos diários com os municípios, ainda não nos tinham reportado nenhum caso concreto, mas obviamente estaremos atentos e iremos enfatizar junto aos municípios este protocolo de atuação”, acrescentou o responsável pela Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País.

Já a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) reconheceu que “a depressão Kristin afetou um elevado número de cidadãos, nomeadamente de grupos vulneráveis, de forma significativa”, sendo sua expectativa de que “a situação regresse à normalidade, progressivamente, nas próximas semanas”.

Realçando que “as redes móveis se encontram totalmente operacionais” desde o início deste mês e disponíveis para estabelecer chamadas de emergência (112), esta entidade reguladora recordou ainda que “para ligar para o 112 bastará existir uma única rede móvel disponível, que permitirá o estabelecimento da chamada mesmo a utilizadores de operadores concorrentes”.

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