Juiz que presidia ao julgamento de Sócrates foi indicado pelo PS para o Conselho Superior de Magistratura

O julgamento de José Sócrates volta a tropeçar antes sequer de começar: o juiz que ia presidir ao processo foi indicado pelo PS para o Conselho Superior da Magistratura, abandona o caso e deixa mais um dos capítulos da Operação Marquês mergulhado em atraso.

© D.R.

O juiz que tinha em mãos o julgamento secundário da Operação Marquês, no qual o ex-primeiro-ministro José Sócrates e o empresário Carlos Santos Silva respondem por crimes de branqueamento de capitais, abandonou o processo antes mesmo de o julgamento arrancar. Vítor Teixeira de Sousa foi indicado pelo Partido Socialista (PS) para o Conselho Superior da Magistratura e passa agora a exercer funções, em exclusividade, como vogal do órgão responsável pela gestão e disciplina dos juízes, avança esta quarta-feira o Observador.

Tal como o Observador adiantou em abril, o juiz tinha sido indicado pelo PS para um dos lugares de vogal sujeitos a nomeação por parte da Assembleia da República, tendo até já ocupado o seu lugar no plenário do CSM realizado esta terça-feira.

Na prática, o processo fica sem juiz presidente a poucos meses da primeira sessão, agendada para 19 de outubro, e o substituto só deverá ser conhecido no verão, entrando em funções apenas em setembro, após as férias judiciais.

A substituição não será feita por redistribuição imediata entre os juízes do tribunal, sublinha o Observador. O novo magistrado só será designado no âmbito do movimento judicial anual, o que deixa o processo suspenso até à rentrée judicial e obriga o futuro juiz a preparar, em tempo reduzido, um dos julgamentos mais sensíveis e mediáticos da justiça portuguesa.

O processo envolve apenas José Sócrates e Carlos Santos Silva e corre em separado do processo principal da Operação Marquês, mas mantém intacta a sua carga política. Não apenas pelo nome dos arguidos, mas também pela saída do juiz que troca agora o coletivo de julgamento por um lugar no topo da estrutura disciplinar da magistratura.

A coincidência política dificilmente passa despercebida: depois de meses de impasse sobre quem deveria julgar José Sócrates, o magistrado que acabou por ficar com o processo abandona agora o caso para assumir funções no órgão superior da magistratura, após indicação socialista.

Vítor Teixeira de Sousa não era, de resto, um nome distante da esfera do PS. Segundo a mesma fonte, antes de assumir este processo, foi chefe de gabinete de dois governantes socialistas: Mário Belo Morgado, na Justiça, e José Luís Carneiro, atual líder do PS.

Últimas do País

O julgamento de José Sócrates volta a tropeçar antes sequer de começar: o juiz que ia presidir ao processo foi indicado pelo PS para o Conselho Superior da Magistratura, abandona o caso e deixa mais um dos capítulos da Operação Marquês mergulhado em atraso.
Um grupo de especialistas da Universidade de Coimbra (UC) vai apresentar, no início de junho, as conclusões preliminares de um estudo sobre a razão das cheias do Mondego e as suas consequências.
O CHEGA cola-se à AD, encurta a distância para mínimos e André Ventura reforça-se como o rosto que mais portugueses já reconhecem como líder da oposição ao Governo.
A utilização das urgências de Obstetrícia e Ginecologia é mais elevada no Centro, Grande Lisboa e Algarve, enquanto a Península de Setúbal regista os maiores constrangimentos de acesso, com 76,2% dos dias com limitações, acima da média nacional (15,3%).
Há muitos condutores em Portugal a pagar mais do que precisam na Via Verde sem se aperceberem. A principal razão está na escolha do plano, que nem sempre corresponde ao uso real do carro.
O mau tempo está hoje a condicionar o regular movimento de aterragens e descolagens no Aeroporto Internacional da Madeira - Cristiano Ronaldo, havendo seis aviões divergidos e seis chegadas canceladas.
A GNR deteve um casal suspeito de furtar bens alimentares no valor de cerca de 700 euros em vários estabelecimentos comerciais do distrito de Aveiro, informou hoje aquela força de segurança.
Uma operação de fiscalização, em Felgueiras, no distrito do Porto, levou à apreensão de mais de 1.800 artigos contrafeitos, tendo sido constituídos arguidos dois homens suspeitos do crime de contrafação, anunciou hoje a GNR.
As ocupações ilegais já não se limitam a casas vazias. Nos últimos meses, autoridades e proprietários têm registado uma mudança no padrão: os chamados 'okupas' estão a expandir-se para novos espaços, como jardins privados, terrenos rurais e até embarcações.
A doença crónica está a crescer em Portugal e a surgir cada vez mais cedo, evoluindo para formas mais complexas, conclui uma investigação hoje divulgada, que aponta para um “impacto desproporcional” nos mais desfavorecidos