A tendência, identificada por vários relatos recentes, mostra que os ocupantes estão a procurar locais menos vigiados e com proteção legal mais frágil. Espaços exteriores ou usados apenas ocasionalmente tornam-se alvos mais fáceis e muito mais difíceis de recuperar.
Casos em países como Espanha e França mostram terrenos transformados em acampamentos improvisados e barcos ocupados durante semanas. Em muitos destes episódios, os danos materiais acumulam-se e, em zonas rurais, surgem até riscos acrescidos de incêndio.
O problema está também na lei. Ao contrário das habitações, estes espaços não têm o mesmo nível de proteção jurídica, obrigando os proprietários a provar a posse e a identificar os ocupantes antes de qualquer ação. Na prática, isto pode arrastar-se durante meses.
Juristas admitem que a legislação não está preparada para este tipo de situações, sobretudo quando se trata de terrenos rústicos ou propriedades de uso pontual. A lentidão dos tribunais e a falta de meios em zonas menos urbanas acabam por agravar ainda mais o cenário.
Face a estas dificuldades, muitos proprietários optam por soluções próprias, como vigilância privada ou reforço de segurança, o que implica custos adicionais sem garantia de sucesso.
Em Portugal, o fenómeno ainda é mais limitado, mas começa a ser acompanhado com atenção.
Só em Lisboa, existem centenas de habitações municipais ocupadas ilegalmente, muitas das quais continuam por resolver. Ao mesmo tempo, o aumento dos preços da habitação e a falta de oferta no arrendamento continuam a alimentar o problema, criando um cruzamento entre pressão social e ilegalidade.
O resultado é um fenómeno em transformação, mais disperso, mais difícil de controlar e com impacto crescente para proprietários e autoridades.