Ensino superior é mais barato em Portugal, mas custos para as famílias são elevados

A conclusão resulta de um estudo divulgado hoje pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), que analisou os ganhos económicos associados ao prosseguimento dos estudos no ensino superior.

© D.R.

Um dos indicadores avaliados para perceber se compensa frequentar o ensino superior foi o retorno financeiro desse investimento, calculando a diferença entre os ganhos salariais ao longo da vida e os custos diretos de frequentar o ensino superior e rendimentos de trabalho sacrificados por prosseguir os estudos ao invés de entrar no mercado de trabalho logo após o ensino secundário (custos indiretos).

Comparativamente aos restantes Estados-membros da União Europeia (UE), é em Portugal que os custos de frequentar o ensino superior são mais baixos, em parte devido aos baixos salários auferidos pelos jovens que concluíram apenas o ensino secundário.

No entanto, as despesas têm um peso diferente no orçamento das famílias portuguesas.

Segundo o relatório, os custos diretos de frequentar uma universidade (propinas, taxas e emolumentos e materiais de estudo), tornam-se elevados quando em relação ao PIB `per capita` e representam uma parte significativa dos custos totais, ao contrário da maioria dos países, onde os rendimentos não auferidos constituem a maior fatia desse bolo.

No contexto europeu, só Espanha e Hungria ultrapassam Portugal, e os autores alertam que, apesar dos valores absolutos baixos, os custos iniciais “podem constituir sérios obstáculos à entrada no ensino superior”.

Por outro lado, o `policy paper` divulgado hoje — o quinto produzido pela Fundação e o segundo dedicado à Educação — aponta os níveis de investimento “relativamente baixos”.

Em 2022, Portugal pagou, em média, 14.155 dólares (cerca de 12.000 euros) por estudante, 35% abaixo da média da UE, sendo que um terço desse valor foi pago pelas famílias, posicionando o país no topo da lista dos Estados-membros onde as famílias mais contribuem para o financiamento das instituições.

Perante esse cenário, o desafio é encontrar um equilíbrio entre eficiência associada à frequência do ensino superior, a equidade de oportunidades e partilha justa de custos, e a sustentabilidade no que respeita à viabilidade fiscal e qualidade da educação.

Os dados do relatório sugerem que o modelo seguido por Portugal nos últimos anos — de partilha de custos, combinando financiamento público e com propinas a cargo dos estudantes — é insuficiente e, por isso, os autores deixam algumas recomendações para alcançar esse equilíbrio.

Numa apresentação das conclusões à comunicação social, o coordenador do estudo, Luís Catela Nunes, que participou também um estudo sobre o sistema de ação social solicitado pelo Ministério da Educação, recordou que o valor atual das bolsas de estudo é muito baixo e defendeu mecanismos de apoio financeiro sólidos, para garantir que nenhum estudante fique excluído do ensino superior por motivos financeiros.

“Pensando no futuro, a dúvida é que se as propinas vierem a aumentar, isso vai colocar uma pressão ainda maior nas famílias”, alertou, sublinhando que “qualquer mudança nas propinas tem de ser acompanhada de bolsas de estudo”.

Outra hipótese, que os investigadores não recomendam, mas sobre a qual sugerem uma reflexão, é um sistema de empréstimos indexados aos rendimentos com “condições transparentes, mecanismos sólidos de prestações e medidas de salvaguarda que promovam o acesso equitativo, garantindo simultaneamente a sustentabilidade financeira”.

Para Luís Catela Nunes, esse sistema poderia resultar em “escolhas mais racionais” por parte dos estudantes, favorecendo as áreas de estudo com maior rentabilidade, mas poderá não ser sustentável, uma vez que não existe uma garantia de que os empréstimos sejam pagos na totalidade.

Últimas do País

Os 24 acidentes em passagens de nível registados em Portugal em 2025 causaram nove mortos, segundo um comunicado oficial divulgado hoje, no qual se destaca que o número não tem diminuído "de forma correspondente" à redução destas infraestruturas.
Os alunos do 4.º que não realizaram a prova de Monitorização das Aprendizagens de Matemática devido à greve dos trabalhadores não docentes de sexta-feira vão fazê-lo no dia 19 de junho, informou hoje o Ministério da Educação.
O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Luís Laginha de Sousa, alertou hoje para as limitações à capacidade de utilização de recursos que o supervisor tem, o que lhe "retira flexibilidade e operacionalidade".
Doze concelhos dos distritos de Faro, Portalegre, Santarém, Castelo Branco e Évora apresentam hoje um perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Um homem de 47 anos foi detido na segunda-feira em flagrante delito por ter ateado um incêndio florestal no concelho de Lousada, distrito do Porto, anunciou hoje o Comando Territorial da GNR do Porto.
Portugal está entre os países europeus que mais processa cocaína, tendo sido desmantelados em 2024 quatro laboratórios e apreendidas 23 toneladas, a sexta maior quantidade entre os Estados-Membros da União Europeia (UE).
Os dados realçam o aumento da proporção de partos de mães de nacionalidade estrangeira de 26,3%, em 2024, para 28,8%, em 2025, com as parturientes de nacionalidade estrangeira a residirem sobretudo em municípios do Algarve e da Grande Lisboa.
A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) condenou hoje "a promoção aberta" de bolsas de nicotina no festival Primavera Sound Porto, alertando que estes produtos provocam forte dependência e podem incentivar o consumo de nicotina entre os mais jovens.
O suspeito, "já anteriormente condenado pelo mesmo crime e contra a mesma vítima, voltou a injuriá-la e ameaçá-la, incumprindo as medidas que lhe haviam sido impostas pelo tribunal".
A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem de 35 anos na ilha de São Miguel, nos Açores, por tentativa de homicídio, na sequência de uma discussão alegadamente relacionada com o consumo de estupefacientes, foi hoje divulgado.