Prestação da casa subirá? Esta semana há decisão do BCE (eis a previsão)

O Banco Central Europeu (BCE) vai reunir-se esta quarta e quinta-feira e a expectativa dos analistas aponta para uma subida dos juros em 25 pontos base.

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Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global de Mercados Públicos, Allianz GI, antecipou, numa nota de análise, que o BCE deve subir a taxa de juro diretora em 25 pontos-base, para os 2,25%, em linha com as orientações que tem dado desde março.

“A restrição monetária continua a justificar-se: uma sucessão de choques na oferta mantém a inflação acima do objetivo, e o BCE está empenhado em evitar a repetição do cenário pós-Covid, em que o atraso na adoção de medidas acabou por exigir aumentos de juros mais agressivos”, explicou.

O analista sinalizou ainda que é provável que a presidente do BCE, Christine Lagarde, mantenha a porta aberta a subidas adicionais, com um aumento final de 25 pontos-base em setembro, enquanto em julho a possibilidade de uma subida dependa de uma deterioração adicional significativa das perspetivas de inflação.

O economista sénior da Generali Investments Martin Wolburg também considerou, numa nota de antecipação, que é muito provável que o BCE aumente as taxas em 25 pontos base, “em linha com a sua recente comunicação de postura mais agressiva”.

“Para além disso, as perspetivas de política monetária tornam-se mais difíceis, uma vez que o Conselho de Governadores tem de equilibrar a inflação persistentemente elevada com a desaceleração da atividade económica”, admitiu o analista.

Para Martin Wolburg, o aumento da taxa de juro em junho “serviria principalmente para preservar a credibilidade anti-inflacionista do BCE e ajudar a ancorar as expectativas”.

Ainda assim, com as esperanças de um acordo de paz no conflito com o Irão a dissiparem-se novamente e os riscos de estagflação a manterem-se elevados, “é provável que a presidente Lagarde queira manter a porta aberta para um maior aperto monetário, se necessário”, notou.

A Oxford Economics é da mesma opinião, prevendo um aumento de 25 pontos base, tendo em conta que “um choque mais persistente nos preços da energia, com expectativas de inflação mais altas, pressões de custos crescentes e ‘bottlenecks’ de oferta cada vez piores, exigirá algum aperto na política monetária para conter os riscos de inflação no médio prazo”.

O economista-chefe para a Alemanha da Oxford Economics, Oliver Rakau, considerou que o BCE deverá sinalizar que “novos aumentos provavelmente serão necessários, validando amplamente a previsão de mercado de até três aumentos de 25 pontos base até o final do ano”.

“Mantemos a nossa visão de dois aumentos e acreditamos que o segundo provavelmente ocorrerá em julho”, acrescentou Rakau. Já se se verificar uma queda dos preços da energia, um fraco crescimento económico e fragilidade do mercado de trabalho, “aumentos de juros em setembro ou posteriormente parecem improváveis”.

A reunião sobre política monetária do BCE decorre entre 10 e 11 de junho, sendo também acompanhada por uma atualização das previsões económicas.

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