Preços das casas mais do que duplicaram em mais de 150 municípios

Os preços da habitação mais do que duplicaram em 157 municípios entre 2017 e 2025, com as maiores valorizações a serem registadas na Área Metropolitana do Porto, Grande Lisboa e Península de Setúbal, segundo o Banco de Portugal.

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Nos concelhos de Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal a variação do valor mediano por metro quadrado das casas vendidas apresentou valores superiores a 200% no período em análise.

A conclusão é do estudo “Habitação em Portugal: determinantes da oferta e dinâmica de preços e rendas”, publicado no Boletim Económico de junho hoje divulgado pelo Banco de Portugal.

Já o valor mediano das rendas por metro quadrado mais do que duplicou em 23 municípios (num total de 184 para os quais existe informação), destacando-se os concelhos de Grândola, Sines e Moita, com variações superiores a 125% no período entre 2017 e 2024 (o último ano para o qual o INE divulgou valores das rendas).

De acordo com o estudo, o incremento imobiliário foi mais intenso nos municípios que apresentavam preços de aquisição menos valorizados face às rendas aí praticadas, com a procura a deslocar-se “para municípios relativamente mais acessíveis” nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Em comparação, os municípios do Algarve, “que já se destacavam com rácios preço-renda superiores à média nacional ― muito influenciados pela procura por não residentes”, registaram variações relativamente menores no período considerado.

O estudo conclui também que em Portugal as expectativas dos consumidores sobre o comportamento dos preços de habitação nos próximos 12 meses “evidenciam uma evolução crescente e níveis persistentemente superiores aos da área do euro”.

Entre janeiro e março de 2026, a expectativa era de um aumento dos preços de habitação, em média, de 7% em Portugal e de 3,7% na área do euro, com Portugal a apresentar “uma perceção generalizada de que o momento atual é favorável ao investimento” e à aplicação das poupanças no mercado de habitação.

Os autores do estudo ressalvam a existência de “elevada heterogeneidade nas expectativas dos consumidores nacionais, com os jovens (18–34 anos) a anteciparem uma subida de 4%, em média, e os consumidores na faixa etária dos 55–70 anos a anteverem um crescimento de 6,3%.

“Esta diferença poderá estar associada ao facto de as gerações mais velhas, com um historial mais longo de observação dos preços e dos ciclos económicos no mercado imobiliário, tenderem a ancorar as suas expectativas em fenómenos inflacionários já vividos”, lê-se no documento.

A nível regional, as expectativas mais elevadas concentram-se na região Norte (6,8%) e na Área Metropolitana de Lisboa (6,6%), em contraste com valores mais baixos no Alentejo e Algarve (3,7% em ambas).

Apesar do forte crescimento dos preços, o estudo do Banco de Portugal revela que o peso do crédito bancário nas transações de casas manteve-se abaixo de 60% ao longo dos últimos anos, com a parte restante a ser assegurada pelo recurso a capitais próprios na compra de habitação.

Contudo, o crescimento dos empréstimos foi mais forte desde o início de 2024, coincidindo com a descida das taxas de juro e também com “o regime da garantia do Estado” criado para os jovens.

Os autores do estudo – Nuno Alves, João Amador, Beatriz Amorim, João Bonito Gomes, Cristina Manteu, António Santos e Carlos Santos – apontam ainda limitações às estatísticas sobre o mercado habitacional, considerando-as “insuficientes” para avaliar “as quantidades procuradas e oferecidas para cada preço”, a “evolução das preferências das famílias”, a “estrutura de custos associada à construção de habitação” e as “condições de concorrência no setor”.

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