Ventura desafia Governo: “Quem trabalha tem direitos e não pode ser tratado como descartável”

O presidente do CHEGA afirmou esta quinta-feira que os trabalhadores portugueses não podem continuar a ser tratados como “descartáveis”, defendendo medidas para limitar despedimentos ilícitos, valorizar o trabalho por turnos e reforçar os direitos das famílias.

© Folha Nacional

O presidente do CHEGA, André Ventura, defendeu esta quinta-feira alterações à reforma laboral em discussão no parlamento, acusando também o Partido Socialista de não ter concretizado medidas que, segundo afirmou, prometeu durante anos aos trabalhadores portugueses.

Durante a sua intervenção, Ventura sustentou que as propostas apresentadas pelo CHEGA resultam de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses e representam uma tentativa de corrigir aspetos que considera insuficientes na reforma laboral promovida pelo Governo.

“O CHEGA fez aquilo que o PS não fez neste Parlamento em oito anos: trabalhar em prol dos portugueses”, afirmou.

Uma das matérias em destaque foi o regime dos despedimentos. O líder da oposição defendeu que os trabalhadores despedidos de forma ilícita devem manter o direito à reintegração no posto de trabalho, considerando que esse princípio não pode ser enfraquecido.

“Quem trabalha tem direitos”, declarou, acrescentando que “não podemos criar uma cultura em que despedir é fácil e desejável”.

André Ventura defendeu igualmente alterações relacionadas com a proteção da maternidade, considerando que as mães trabalhadoras devem ver salvaguardado o direito à amamentação sem restrições que possam resultar da sua situação profissional.

Outro dos pontos centrais da intervenção incidiu sobre os dias de férias dos trabalhadores. O presidente do segundo maior partido voltou a defender a reposição dos 25 dias de férias anuais, tanto para os trabalhadores do setor público como para os do setor privado.

“Falem com os trabalhadores e perguntem-lhes se querem voltar a ter 25 dias de férias. A resposta será sim”, afirmou.

Ventura recordou ainda as medidas adotadas durante o período da assistência financeira internacional, defendendo que, tal como foram revertidas outras restrições associadas à troika, também os cortes nos dias de férias devem ser revertidos.

A valorização do trabalho por turnos foi outro dos temas abordados. Ventura defendeu um reforço do subsídio atribuído a estes trabalhadores, argumentando que os horários desfasados implicam sacrifícios significativos na vida pessoal e familiar.

“São trabalhadores que se sacrificam nos horários e na convivência com a família”, afirmou.

“O CHEGA fez em seis anos aquilo que 40 anos de bandeiras vermelhas não conseguiram fazer em Portugal”

Ao longo da intervenção, o presidente do CHEGA dirigiu ainda críticas ao Partido Socialista, acusando-o de não ter apresentado propostas concretas em matérias como a amamentação ou os direitos laborais.

Referindo-se ao processo legislativo em curso, André Ventura afirmou que o aumento do subsídio de turno, a proteção das mães trabalhadoras e a limitação dos despedimentos ilícitos constituem objetivos centrais das alterações defendidas pelo partido.

“O CHEGA fez em seis anos aquilo que 40 anos de bandeiras vermelhas não conseguiram fazer em Portugal”, declarou.

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