Sob a batuta da Diretiva Integrada de Vigilância e Deteção de Incêndios Rurais (DIVDIR), o dispositivo vai focar-se nas regiões agrícolas e florestais criticamente vulneráveis, ajustando a presença no terreno ao nível de risco diário. O esforço operacional junta as equipas territoriais da GNR, a Investigação Criminal, o Trânsito e o Serviço da Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA). Metade do contingente militar de reforço estará concentrado nas terras fustigadas pela recente tempestade Kristin, distribuindo-se o restante por distritos como Castelo Branco, Coimbra, Faro, Guarda, Santarém, Vila Real e Viseu.
A estratégia de controlo apoia-se fortemente na tecnologia. Estão ativos 80 postos da Rede Nacional de Postos de Vigia (RNPV), assegurados por 320 operacionais, e uma malha de videovigilância com 147 torres capazes de monitorizar remotamente cerca de sete milhões de hectares. No ar, a monitorização é reforçada por drones da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro (UEPS) e por uma aeronave não tripulada de asa fixa da Força Aérea, cuja missão arrancou esta sexta-feira.
Além da vigilância ativa, a GNR vai apertar o cerco a condutas de risco e crimes ambientais, tais como queimadas ilegais ou uso impróprio de máquinas agrícolas. Os dados acumulados desde janeiro mostram que as mais de 27 mil patrulhas realizadas pelas autoridades resultaram na identificação de 718 suspeitos e em 120 detenções por fogo posto, num ano em que já se contabilizam 3.588 incêndios rurais.
A investigação científica da Guarda revela ainda um dado alarmante: quase 60% dos fogos deste ano nasceram da negligência humana (queimas e queimadas), enquanto 11,6% foram provocados intencionalmente. Em dias de alerta ‘muito elevado’ ou ‘máximo’, a lei proíbe taxativamente o uso de fogo na floresta, o lançamento de foguetes, a atividade de fumigação sem proteção e a circulação de maquinaria pesada que não possua sistemas de retenção de faíscas ou extintores.