Bombeiros contestam exclusão das motas do financiamento do INEM

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) manifestou-se hoje contra a decisão do INEM de excluir as motas de emergência pré-hospitalar do financiamento às associações, alegando que apresentam "resultados muito positivos" no socorro à população.

©INEM

Em comunicado, a LBP adiantou que o INEM “fez saber que pretende excluir no novo protocolo”, que está a ser negociado entre as duas partes, as motas de socorro dos bombeiros, uma intenção que fonte do instituto que coordena a emergência pré-hospitalar confirmou à Lusa.

O INEM “tem falta de ambulâncias na margem sul e em Lisboa”, razão pela qual propôs aos bombeiros “transformar as motas em mais ambulâncias”, com o respetivo aumento de financiamento a pagar às associações, adiantou a mesma fonte, realçando que, além disso, o instituto já tem motas próprias em Lisboa e no Porto.

A liga “já fez saber que está contra essa posição”, argumentando com os resultados obtidos em 2025 e já em 2026 pelas três motas de emergência pré-hospitalar protocoladas com as associações de bombeiros de Cacilhas, de Queluz e dos Voluntários Portuenses.

De acordo com os dados da LBP, estes três veículos foram acionados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM para 1.809 intervenções em 2025, enquanto nos primeiros seis meses deste ano já foram chamados 912 vezes para socorro à população.

“É também relevante ter em conta que, em alguns casos, a mobilização adiantada da mota de socorro e a sua chegada ao local permite, após avaliação da vítima/doente, abortar a mobilização de uma ambulância, ficando assim imediatamente disponível para outra ocorrência”, realçou a liga no comunicado publicado na sua página do Facebook.

Numa nota de esclarecimento sobre o assunto, o INEM defendeu que a avaliação dos meios do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) deve ser efetuada com base em critérios técnicos, operacionais, clínicos e de eficiência global do sistema e “não apenas no número de ativações registadas”.

O facto de um meio ser frequentemente acionado “não constitui, por si só, demonstração da sua indispensabilidade ou da sua adequação ao modelo operacional futuro”, referiu o instituto, argumentando que devem ser ainda considerados fatores como o impacto efetivo nos resultados clínicos, a complementaridade com outros meios existentes, a cobertura territorial, os custos associados, a disponibilidade operacional e a integração numa “estratégia nacional coerente”.

Assegurou ainda que a proposta apresentada às associações envolvidas “não visa uma diminuição da capacidade de resposta do sistema, nem uma redução do apoio prestado” aos corpos de bombeiros, constituindo sim uma solução que permite “aumentar a capacidade de assistência aos doentes”, reforçar a resposta operacional disponível para a população e incrementar o financiamento atribuído às respetivas associações.

Fonte do INEM adiantou à Lusa que já foi enviado à LBP uma proposta de revisão do protocolo, que prevê o pagamento às associações de bombeiros — parceiras do SIEM – de um subsídio mensal fixo para compensar a disponibilidade e os encargos com a tripulação de cada ambulância de socorro.

Essas ambulâncias são chamadas de Postos de Emergência Médica (PEM), estando disponíveis 24 horas e são responsáveis por assegurarem cerca de 90% do socorro pré-hospitalar prestado no país.

Em 2025, este subsídio aos bombeiros e à Cruz Vermelha passou de cerca de 6.690 euros para 8.760 euros por mês por cada ambulância e, este ano, vai voltar a aumentar para os 10.800 euros mensais por cada uma das 520 ambulâncias que integram o SIEM.

A esse subsídio fixo acrescem outros de natureza variável, como os quilómetros percorridos e o material disponível nas ambulâncias.

Últimas do País

Cidadãos que perderam as suas poupanças devido à extinção do antigo banco BES reuniram-se hoje em protesto em Espinho, para exigirem do Estado a restituição de valores entre 10 milhões e centenas de milhões de euros.
Viticultores do Douro estão hoje a manifestar-se, no Peso da Régua, para reclamar medidas imediatas como a uva para destilar, numa altura em que as vindimas estão a arrancar e há preocupações crescentes com o escoamento da produção.
Três pessoas ficaram feridas por inalação de vapores tóxicos provocados por uma reação química numa trasfega de hipoclorito de sódio, no Mariparque, em Vieira de Leiria, Marinha Grande, disseram à agência Lusa fontes da Proteção Civil.
O mau tempo registado nos Açores desde a noite de quarta-feira provocou várias inundações em São Jorge e São Miguel e obrigou ao realojamento de 67 pessoas que estavam no parque de campismo da Praia da Vitória, na Terceira.
Um homem de 53 anos ficou sujeito à medida de coação de apresentações semanais por suspeitas do crime de incêndio, depois de ter sido detido em flagrante delito no Beato, em Lisboa, informou hoje a PSP.
Uma jovem de 21 anos foi vítima de violação depois de sair do trabalho, em Albufeira. O suspeito, um cidadão estrangeiro de 24 anos, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), que reuniu provas consideradas suficientes para a sua apresentação a primeiro interrogatório judicial.
O homem, já constituído arguido, está indiciado pela prática de dois crimes de violência doméstica agravados contra a ex-companheira e o filho, anunciou o Ministério Público (MP), num comunicado publicado na página na Internet da Procuradoria-Geral Regional de Évora.
A Polícia Judiciária arrestou, esta madrugada, um porta-contentores no Porto de Sines, suspeito de transportar grandes quantidades de cocaína a bordo.
Cerca de 50 concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Santarém e Portalegre estão hoje em perigo máximo de incêndio rural, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Um homem de 67 anos foi detido por suspeitas de maus-tratos psicológicos e físicos à mulher, incluindo ameaças de morte, no concelho de Arraiolos, no distrito de Évora, revelou hoje o Ministério Público (MP).