Abrantes aguarda obras na EN2 cinco meses após intempéries

O concelho de Abrantes aguarda ainda intervenções em estradas afetadas pelas cheias e pela tempestade Kristin, cinco meses após as intempéries, criticando a insuficiência dos apoios para responder a prejuízos estimados em mais de 16 milhões de euros (ME).

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“Até agora, as verbas que foram recebidas de apoios governamentais foram cerca de um milhão de euros, muito aquém das nossas expectativas e, sobretudo, muito aquém da necessidade para fazer face à destruição”, afirmou à Lusa o presidente da Câmara de Abrantes, no distrito de Santarém.

Segundo Manuel Jorge Valamatos, os prejuízos provocados pela tempestade Kristin e pelas cheias no Tejo ascendem a cerca de 16 ME, abrangendo estradas, linhas de água, espaços públicos, estruturas elétricas, equipamentos de recreio e património municipal.

Cinco meses depois das intempéries que atingiram o concelho, as acessibilidades continuam a ser a principal preocupação do município.

“Há um conjunto de estradas que precisam, com urgência, de voltar à normalidade”, declarou Valamatos, apontando como exemplo a ligação entre Martinchel e Constância, que necessita de uma intervenção que classificou como “muito robusta e complexa”.

Além das vias municipais, mantêm-se condicionamentos em infraestruturas rodoviárias sob responsabilidade da Infraestruturas de Portugal (IP), nomeadamente na Estrada Nacional 2 (EN2), na zona de Espinhaço de Cão, junto à cidade, e na EN118, de acesso ao Tramagal.

Segundo informação transmitida pela IP ao município, deverá arrancar no terceiro trimestre deste ano uma empreitada para estabilização do talude na EN2, numa zona onde a circulação continua condicionada a uma faixa de rodagem.

O presidente da Câmara disse esperar que a intervenção decorra “de forma célere” e permita resolver uma situação que continua a gerar constrangimentos numa das principais vias de acesso à cidade.

A IP prevê também intervenções em dois pontos considerados críticos da EN118, entre Abrantes e Tramagal, bem como trabalhos de estabilização junto ao acesso à ponte rodoviária sobre o rio Tejo.

Paralelamente, o município prepara procedimentos para avançar com obras em várias estradas municipais afetadas pelo mau tempo, procurando repor a circulação em troços que permanecem parcial ou totalmente obstruídos.

Valamatos defendeu, contudo, que a recuperação do território exige um reforço dos apoios governamentais.

“Precisamos muito de ter apoios que, infelizmente, cinco meses depois, ainda não estão a chegar”, afirmou.

O autarca revelou ainda que irá reunir na próxima semana com a ministra do Ambiente para abordar as necessidades de recuperação do concelho, nomeadamente ao nível das linhas de água, espaço público e infraestruturas danificadas.

Para Manuel Jorge Valamatos, os fenómenos meteorológicos extremos dos últimos meses devem levar a uma reflexão sobre a forma como o território é preparado para futuras situações semelhantes.

“Temos de construir algumas infraestruturas com outra resiliência, com outra robustez, capazes de conseguir ultrapassar situações de tempestade como ocorreram agora”, sustentou.

O presidente da Câmara considerou que os mecanismos de apoio devem ter em conta não apenas os danos provocados diretamente pela tempestade Kristin, que ocorreu a 28 de janeiro, mas também os prejuízos resultantes das cheias que afetaram o concelho.

“Em Abrantes tivemos muito mais prejuízos com as cheias do que propriamente com a depressão Kristin e é preciso ter sensibilidade para olhar para os dois fenómenos”, concluiu.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

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