Patrulhas da GNR reforçam vigilância na Serra do Marão para prevenir incêndios rurais

A serra do Marão é vigiada desde hoje por patrulhas da GNR a cavalo para sensibilizar as populações e visitantes, dissuadir comportamentos de risco e reforçar a prevenção neste período de maior risco de incêndio rural.

© D.R.

A esquadra a cavalo da GNR do Porto fica sediada numa antiga casa florestal, na zona da Póvoa, e é dali que parte a patrulha que tem a missão de vigiar a serra do Marão até setembro. Uma das paragens é a lagoa da Póvoa, onde muitos se deslocam para se banhar nas águas frias da serra.

Em simultâneo seguem duas equipas, dois cavalos e dois militares, e o foco é a vigilância e a deteção de incêndios. A comunicação é feita via rádio.

Para o capitão Rui Ferreira, comandante do destacamento de intervenção do Porto, este patrulhamento é “diferenciador a vários níveis”.

Desde logo pela proximidade com a população, já que os cavalos são capazes de gerar uma maior empatia e aproximam as pessoas da Guarda, o patrulhamento é mais lento, silencioso e a altura em que o militar segue permite-lhe vigiar uma área maior.

Rui Ferreira defendeu que este é um patrulhamento eficaz.

“Não podemos dizer que só com este patrulhamento conseguimos fazer a vigilância. É eficaz em coordenação, tanto com o nosso outro patrulhamento, tanto com os outros agentes de proteção civil que estão no terreno também a fazer vigilância da área florestal”, afirmou.

Estas equipas vão permanecer na serra durante o período mais crítico de incêndios rurais que teve início hoje.

O dispositivo de combate a incêndios rurais foi hoje reforçado para entrar na sua capacidade máxima, numa altura em que a área ardida e o número de fogos duplicaram em relação ao mesmo período de 2025.

No Marão registaram-se 115 ocorrências em 2025.

Durante o percurso pela serra, as equipas sensibilizam a população e contribuem para a dissuasão de comportamentos de risco.

“O Marão é um património natural que está muito bem conservado e nós queremos contribuir para que se mantenha assim para as gerações vindouras também poderem usufruir do que é a serra”, sublinhou Rui Ferreira.

O comandante territorial do Porto, Paulo Serra, considerou que “proteger a Serra do Marão é proteger a identidade deste território”.

“Porque a prevenção começa antes do primeiro fumo e começa com uma presença visível, próxima e permanente no terreno. E é aqui que a cavalaria da Guarda assume um papel verdadeiramente diferenciador e revela toda a sua utilidade”, afirmou, salientando que, num território exigente e complexo como é o Marão, “o cavalo continua a ser um aliado operacional de excelência, insubstituível e que “permite chegar onde outros dificilmente chegam”.

Percorre trilhos, atravessa zonas de relevo acidentado, proporciona uma observação privilegiada e permite uma vigilância discreta, eficaz e ambientalmente sustentável, produz menor perturbação sobre a fauna e sobre os ecossistemas e aumenta o campo de visual e a capacidade de deteção precoce de qualquer indício de risco.

O comandante distrital considerou que a prevenção de incêndios rurais é, hoje, um dos maiores desafios coletivos da sociedade.

“A experiência dos últimos anos demonstrou-nos que proteger a floresta não é apenas responder ao incêndio quando ele já deflagrou. É, acima de tudo, atuar antes, prevenindo, dissuadindo comportamentos de risco, fiscalizando, sensibilizando e garantindo uma presença permanente junto das populações”, realçou.

E este é, explicou, precisamente o espírito da operação Floresta Segura que todos os anos a GNR coloca no terreno.

“Cada comportamento de risco evitado, cada situação sinalizada, cada cidadão sensibilizado, representa um incêndio que pode nunca vir a acontecer”, frisou.

O presidente da Câmara de Amarante, Jorge Ricardo, assinalou a “união de esforços”, através do patrulhamento florestal da Serra do Marão que é desenvolvido em “estreita cooperação entre a GNR e município.

E esta operação, na sua opinião, “faz a diferença”.

“O patrulhamento a cavalo ou a bicicleta permite uma presença constante e próxima no terreno, chegando a locais de difícil acesso e reforçando a ligação entre a GNR e as populações. É uma presença que transmite confiança e segurança, sensibilizando assim quem vive e quem visita a Serra do Marão. Acima de tudo, constitui um importante fator de dissuasão de comportamentos de risco”, sublinhou.

Destacando que os “resultados alcançados nos últimos anos demonstram que esta estratégia tem sido eficaz”.

O patrulhamento em permanência a cavalo na Serra do Marão faz-se ininterruptamente desde 2011.

“É um exemplo de policiamento de proximidade que protege as pessoas”, destacou.

A Diretiva Operacional Nacional (DON), que estabelece o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para este ano, indica que os meios são reforçados hoje pela terceira vez este ano com a entrada em vigor do denominado ‘reforçado – nível Delta’, que se prolonga até 30 de setembro.

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