O presidente do CHEGA, André Ventura, defendeu esta segunda-feira que o ministro da Administração Interna, Luís Neves, “não reúne condições para continuar em funções”, acusando-o de ter ameaçado diretamente o maior partido da oposição e de procurar intimidar quem fiscaliza a atuação do Governo.
Em conferência de imprensa, na sede nacional do partido, em Lisboa, Ventura voltou a divulgar as imagens em bruto da troca de palavras com o ministro, rejeitando a versão apresentada por Luís Neves de que as imagens teriam sido manipuladas.
Segundo o líder do CHEGA, as declarações do ministro são “inequívocas” e representam uma ameaça dirigida ao partido por este ter decidido escrutinar a utilização de dinheiros públicos no SIRESP e as nomeações efetuadas pelo Ministério da Administração Interna.
“Este ministro não pode continuar enquanto ameaçar jornalistas e o líder da oposição”, afirmou.
André Ventura sustentou que situações menos graves já motivaram demissões de membros do Governo e considerou que o comportamento de Luís Neves constitui um ataque ao funcionamento normal da democracia.
“O líder da oposição nunca pode ter medo. É a democracia que está em causa”, declarou.
O presidente do CHEGA acusou ainda o ministro de não ter esclarecido as dúvidas relacionadas com as obras realizadas na sua habitação e de responder às perguntas com intimidação em vez de transparência.
Segundo Ventura, persistem “suspeitas sérias” sobre a atuação do governante, defendendo que todas devem ser esclarecidas antes do Debate sobre o Estado da Nação.
Durante a conferência de imprensa, o líder do CHEGA criticou também a cobertura mediática do caso, apontando o dedo, em particular, à RTP.
Ventura lamentou que a estação pública não tenha noticiado o caso durante o dia e acusou o canal de falhar na sua missão de serviço público.
“É o grau zero do jornalismo”, afirmou, acrescentando que “um canal público que se ajoelha ao poder político não serve a democracia”.
O presidente do CHEGA sustentou ainda que, se as mesmas declarações tivessem sido dirigidas a outros partidos da oposição, a reação mediática teria sido diferente, criticando aquilo que classificou como um tratamento desigual relativamente ao seu partido.