Rui Cristina, presidente da Câmara Municipal de Albufeira, eleito pelo CHEGA, foi acusado pelo Ministério Público na sequência de declarações sobre a atribuição de habitação pública que, segundo a acusação, são suscetíveis de incitamento ao ódio.
Durante uma Assembleia Municipal realizada em novembro de 2025, o autarca afirmou, segundo a Procuradoria-Geral Regional de Évora, que, “por sua opção, o município não iria gastar dinheiro” no âmbito da habitação com um grupo da etnia cigana.
A posição assumida por Rui Cristina enquadra-se numa das bandeiras políticas defendidas pelo CHEGA: maior exigência na atribuição de apoios públicos e valorização de quem trabalha, desconta e contribui para o sistema, sobretudo numa altura em que muitas famílias enfrentam sérias dificuldades para comprar ou arrendar casa.
Esta segunda-feira, o Grupo Parlamentar do CHEGA avançou com pedidos de informação destinados a fazer uma radiografia à habitação pública municipal. O partido pretende apurar, concelho a concelho, quantas casas municipais existem, quantas estão ocupadas e quantas permanecem vazias, qual o valor médio das rendas e quanto está ainda por cobrar em rendas vencidas.
O Ministério Público, contudo, faz uma leitura diferente das declarações do autarca do CHEGA e considera que estas colocaram a comunidade visada numa posição secundária relativamente aos restantes cidadãos no acesso à habitação.