“Não é humano nem digno”: chefias batem com a porta no Hospital de São José

Diretora de Medicina Interna demite-se e responsável pela Urgência ameaça sair se não melhorarem as condições para tratar os doentes.

© Facebook/Hospital-de-São-José

Dois dos serviços mais pressionados do Hospital de São José, em Lisboa, estão a perder as respetivas chefias, num momento de forte pressão assistencial e falta de condições para responder aos doentes.

Luís Bento, diretor do Serviço de Urgência, comunicou a intenção de abandonar o cargo caso não sejam garantidas melhores condições. O médico denuncia uma situação que considera insustentável, sobretudo devido aos doentes que permanecem na Urgência à espera de internamento. “O que existe não é humano nem digno”, afirmou ao Expresso, avisando: “Se nada avançar, não posso compactuar.”

Também Catarina Pereira, responsável pela Medicina Interna, já apresentou a demissão. A médica aponta para as dificuldades existentes no serviço, marcado pela falta de médicos e enfermeiros, embora permaneça no hospital a exercer funções clínicas.

Um dos principais problemas está na escassez de camas e de recursos humanos para assegurar o internamento, deixando doentes retidos na Urgência durante períodos prolongados.

A administração da Unidade Local de Saúde São José confirmou os dois pedidos de demissão, indicando, contudo, que foram apresentados por “motivos de ordem exclusivamente pessoal”. Os responsáveis clínicos deverão manter-se provisoriamente em funções até serem encontrados substitutos.

As duas saídas deixam um sinal de alerta num dos principais hospitais de Lisboa, onde a falta de profissionais e de capacidade de internamento continua a pressionar serviços essenciais.

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