André Ventura acusou esta sexta-feira o Governo de estar a preparar o terreno para uma eventual alteração das pensões e garantiu que o CHEGA não abdica da proposta de baixar a idade da reforma.
Na sede nacional do partido, após uma reunião dedicada à Segurança Social, o presidente do CHEGA contestou as conclusões do relatório recentemente divulgado sobre a sustentabilidade do sistema e colocou em causa as intenções políticas do Executivo.
“O Governo ou se prepara para mexer nas pensões para as reduzir ou tem intenção de colocar no debate público para deixarmos de falar no aumento das pensões”, afirmou.
Para Ventura, o problema não está nas pensões, mas na gestão das contas públicas. O líder do CHEGA acusa ainda o Governo de apresentar leituras diferentes da situação financeira da Segurança Social consoante a narrativa política do momento.
“Isto é usar as contas da Segurança Social consoante o vento”, criticou, apontando para aquilo que considera serem contradições entre o discurso sobre os excedentes do sistema e as conclusões agora apresentadas.
Ventura deixou ainda um aviso sobre o aumento progressivo da idade da reforma, rejeitando que o equilíbrio financeiro do sistema seja conseguido à custa de mais anos de trabalho.
“Os portugueses não podem continuar a ser forçados a trabalhar. Qualquer dia trabalha-se até aos 90 anos”, disparou.
CHEGA mantém descida da idade da reforma
Ao lado de Ventura, o ministro-sombra das Finanças do CHEGA, Rui Teixeira Santos, reforçou a tese de que Portugal “não tem um problema de pensões”, mas antes “um problema do Estado e de finanças públicas”.
O responsável destacou a existência de uma reserva que poderá aproximar-se dos 50 mil milhões de euros e defendeu alterações ao fator de sustentabilidade e à fórmula utilizada no cálculo das pensões.
O CHEGA garante, por isso, que mantém a intenção de baixar a idade da reforma, procurando fazê-lo sem colocar em causa a sustentabilidade financeira do sistema.
“Não vamos meter em crise as pensões”, assegurou Rui Teixeira Santos.