Portugal continua a preparar muitos dos seus jovens com um modelo educativo pensado para uma realidade que já não existe.
O mercado de trabalho mudou. A inteligência artificial, a automação e a transformação digital estão a criar novas profissões e a alterar profundamente outras. As empresas procuram cada vez mais competências como pensamento crítico, literacia digital, comunicação, resolução de problemas, criatividade, adaptabilidade e conhecimento tecnológico.
Perante esta realidade, é urgente repensar o currículo escolar.
Isto não significa eliminar disciplinas como História, Filosofia, Literatura ou Matemática. Significa reconhecer que os alunos precisam também de competências práticas para enfrentar a vida adulta e profissional.
Literacia financeira, inteligência artificial, programação, cibersegurança, empreendedorismo, gestão de carreira, comunicação profissional e preparação para o mercado de trabalho deveriam ter um espaço muito mais relevante na escola.
Não podemos aceitar que um jovem termine a escolaridade obrigatória sabendo responder a dezenas de perguntas num teste, mas sem saber elaborar um currículo, preparar uma entrevista de emprego, gerir um orçamento familiar ou compreender as novas ferramentas tecnológicas que encontrará no mercado de trabalho.
A escola não pode viver desligada da realidade.
É igualmente necessário aproximar as escolas das empresas, criando experiências práticas e permitindo que os alunos conheçam profissões, competências e oportunidades antes de escolherem o seu percurso.
A educação deve continuar a formar cidadãos cultos, livres e capazes de pensar. Mas deve também preparar pessoas para uma economia em permanente transformação.
Portugal não pode continuar a preparar os jovens para o mercado de trabalho do passado.
Precisamos de uma escola que preserve o conhecimento, mas que ensine também as competências do futuro.
Porque o futuro já chegou.
Agora falta a escola acompanhar-nos até lá.