Uma freguesia não se governa apenas com percepções. Governa-se com conhecimento da realidade de quem nela vive. Uma das maiores dificuldades das políticas públicas locais é saber quantas pessoas precisam realmente de apoio e quais são as suas necessidades.
Quantas famílias procuram uma habitação adequada? Quantas crianças precisam de uma resposta de creche? Quantos agregados enfrentam o desemprego ou dificuldades económicas? Quantos idosos vivem isolados? Quantos cidadãos não têm médico de família? Que problemas existem no acompanhamento escolar? E onde se encontram, concretamente, essas necessidades?
Estas perguntas não são meramente estatísticas. São perguntas políticas. Uma Junta de Freguesia deve ter capacidade para conhecer o território que administra. Isto não significa ter acesso indiscriminado aos dados pessoais dos cidadãos. Significa criar mecanismos legais de cooperação com a Segurança Social, escolas, serviços de saúde, Câmara Municipal, IPSS e outras entidades, de forma a obter informação estatística e territorializada.
Ao mesmo tempo, quando uma família necessita de apoio, deve existir capacidade para assegurar um acompanhamento individual, dentro das regras de proteção de dados e do devido enquadramento legal. A diferença é fundamental: uma coisa é saber que existem famílias vulneráveis; outra é conseguir identificar, acompanhar e encaminhar uma família concreta que precisa de ajuda. Os dados, por si só, não resolvem problemas. Servem para construir um diagnóstico, definir prioridades, tomar decisões, criar respostas e avaliar resultados.
Uma política pública que desconhece a dimensão do problema corre o risco de combater sintomas, sem nunca resolver as causas. Defendo, por isso, que as freguesias deveriam elaborar um diagnóstico social e demográfico periódico, capaz de identificar as principais necessidades do território e orientar as suas prioridades.
Porque governar não é apenas responder aos problemas que chegam à porta da Junta. É também ter capacidade para identificar aqueles que permanecem invisíveis. Uma boa governação local começa por uma pergunta simples: conhecemos verdadeiramente a freguesia que queremos governar?