Fisco perde a confiança das empresas: 69% consideram sistema ineficaz

Quase sete em cada dez empresas ouvidas pela Deloitte dão nota negativa ao sistema fiscal português e 97% consideram-no complexo. Justiça tributária, burocracia e carga fiscal estão entre os principais entraves apontados à competitividade e ao investimento em Portugal.

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A confiança das grandes empresas no sistema fiscal português voltou a recuar. O Observatório da Competitividade Fiscal 2026, da Deloitte, consultado pelo ECO Online, revela que 69% dos inquiridos consideram o sistema ineficaz, uma subida de sete pontos percentuais face ao ano passado.

A complexidade reúne ainda maior consenso: 97% das empresas classificam o sistema fiscal português como complexo, mais quatro pontos percentuais do que em 2025. A evolução interrompe a melhoria da perceção que vinha a registar-se desde 2023 e volta a colocar a simplificação fiscal e administrativa entre as principais exigências das empresas.

Mas o problema não acaba nos impostos, salienta a mesma fonte. Quando questionadas sobre os obstáculos ao investimento em Portugal, as empresas colocam o funcionamento da justiça no topo da lista, com uma avaliação média de 4,45 numa escala de 1 a 5. Logo depois surgem os custos de contexto e a burocracia, com 4,18.

Entre as prioridades identificadas estão uma maior rapidez dos tribunais tributários, menos complexidade fiscal, redução das obrigações declarativas e respostas mais céleres da Administração Fiscal. A diminuição da carga fiscal é igualmente apontada como importante para aumentar a confiança e tornar o país mais competitivo.

Apesar das críticas, as empresas continuam a considerar a política fiscal decisiva para atrair investimento. A redução gradual do IRC e a eliminação da derrama estadual surgem entre as medidas mais valorizadas pelos participantes.

Os incentivos fiscais também mantêm peso nas decisões empresariais, embora estejam a perder adesão. Cerca de 64% das empresas afirmam ter recorrido a estes mecanismos nos últimos anos, sendo o SIFIDE II o mais utilizado, referido por 37% dos inquiridos.

Fora das fronteiras nacionais, há outro fator a tirar o sono aos empresários, escreve o ECO. A incerteza geopolítica surge como a principal preocupação para 2026, com uma classificação média de 4,50 em cinco, seguida pela elevada carga e esforço fiscal e pelo aumento dos custos da energia.

O estudo da Deloitte ouviu 189 empresas com sede fiscal em Portugal, num universo que permite analisar as mil maiores empresas portuguesas. Entre as 111 que se identificaram, 58% apresentam uma faturação superior a 50 milhões de euros e 70% empregam mais de 100 trabalhadores.

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