IRS: Governo reduz descontos em novembro, mas contribuintes arriscam pagar mais em 2027

Trabalhadores e pensionistas vão receber mais dinheiro em novembro graças à redução de 50% na retenção de IRS. Contudo, o alívio imediato poderá traduzir-se em reembolsos inferiores ou em imposto adicional a pagar no próximo ano, quando forem acertadas as contas com o Fisco.

© Manuel de Almeida/LUSA

A redução temporária da retenção na fonte de IRS, anunciada pelo Ministério das Finanças, permitirá a muitos portugueses receber um salário e um subsídio de Natal com descontos mais baixos. A medida, porém, não significa que o imposto devido no final do ano tenha diminuído na mesma proporção.

Segundo avança o Correio da Manhã, os contribuintes abrangidos deixarão de antecipar ao Estado um montante equivalente, aproximadamente, à retenção de um dos 14 pagamentos anuais, o que representa uma redução de cerca de 7% no imposto retido ao longo do ano.

O problema poderá surgir em 2027. Como a diminuição das taxas de IRS é inferior ao alívio aplicado à retenção de novembro, os valores recebidos antecipadamente poderão refletir-se no acerto de contas relativo aos rendimentos de 2026.

O fiscalista Luís Leon, da consultora Ilya, alertou ao Correio da Manhã para a possibilidade de muitos contribuintes receberem reembolsos substancialmente inferiores aos habituais. Em determinadas situações, poderão mesmo ter de pagar imposto adicional.

A redução das taxas de IRS abrange os primeiros seis escalões de rendimento, mas não acompanha, na mesma proporção, a diminuição extraordinária dos descontos em novembro.

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