Uma organização criminosa internacional, suspeita de utilizar empresas fictícias para desviar milhões de euros através de um esquema de fraude fiscal, foi alvo de uma megaoperação da Polícia Judiciária. A investigação levou à detenção de 39 pessoas, com idades entre os 30 e os 60 anos, e à identificação de negócios suspeitos em vários concelhos portugueses.
Segundo o jornal O MIRANTE, as autoridades realizaram buscas em Arruda dos Vinhos, Vila Franca de Xira e Torres Novas, incluindo armazéns, espaços comerciais e escritórios que não tinham sequer um funcionário. Estas estruturas estariam ligadas a uma rede de empresas utilizadas para movimentar telemóveis e equipamentos eletrónicos entre diferentes países da União Europeia, explorando o sistema de IVA para obter reembolsos indevidos e evitar o pagamento de impostos.
A investigação, conduzida no âmbito da operação ‘Hermes’, identificou um alegado esquema conhecido como ‘carrossel do IVA’. Neste mecanismo, as mercadorias circulavam entre várias sociedades, incluindo empresas que desapareciam sem cumprir as obrigações fiscais, enquanto outras entidades reclamavam o reembolso do imposto. A rede tinha ramificações internacionais, tendo sido realizadas diligências também na Alemanha, França, Espanha, Itália, Malta, Países Baixos, Lituânia e Áustria.
A dimensão da operação levou as autoridades a arrestar 26 propriedades, participações em 18 sociedades, 80 automóveis, contas bancárias e diversos bens de luxo. Foram ainda apreendidos quatro veículos de alta cilindrada e quantias elevadas em dinheiro. Em Portugal, a operação mobilizou cerca de 740 elementos da Polícia Judiciária, 212 da Autoridade Tributária e 151 militares da GNR, contando com a colaboração da Europol e da Procuradoria Europeia.
O caso expõe a dimensão de um alegado esquema de criminalidade económico-financeira que atravessava fronteiras e utilizava empresas aparentemente legítimas para ocultar operações fraudulentas. Os 39 detidos são suspeitos de associação criminosa, fraude fiscal e branqueamento de capitais, cabendo à justiça determinar as respetivas responsabilidades criminais.