O Serviço Nacional de Saúde (SNS) tinha, em julho, 284 210 doentes à espera de uma cirurgia, dos quais 86 755 já tinham ultrapassado o prazo recomendado para a intervenção, o equivalente a 30,5% do total, revela o Público.
O agravamento das listas de espera está a preocupar a Ordem dos Médicos e os responsáveis hospitalares, que alertam para as consequências dos atrasos na saúde e na qualidade de vida dos doentes.
Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos, sublinha que os números representam pessoas que necessitam de tratamento e que continuam em sofrimento enquanto aguardam por uma operação, com consequências também para as suas famílias.
Já Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, aponta diferenças na gestão da atividade cirúrgica entre hospitais. Segundo o responsável, algumas unidades suspenderam durante meses as operações adicionais, enquanto outras mantiveram essa resposta, o que ajuda a explicar a evolução desigual das listas de espera.
O dirigente critica ainda a falta de orientações claras da Direção Executiva do SNS para assegurar a continuidade das cirurgias e exige esclarecimentos sobre os recursos previstos para 2027.
Xavier Barreto alerta que a redução das verbas destinadas a materiais, serviços e investimento hospitalar poderá comprometer o objetivo de aumentar o número de operações realizadas.