Detidos ex-ministros do Petróleo e das Finanças por suspeitas de corrupção no setor petrolífero venezuelano

As autoridades venezuelanas anunciaram hoje a detenção de dois ex-ministros suspeitos de corrupção e envolvimento num esquema com criptomoedas no setor petrolífero.

Os antigos governantes em questão são o ex-ministro do Petróleo Tareck El Aissami, considerado no passado um dos homens-chave do governo do Presidente Nicolás Maduro, e o ex-ministro de Economia e Finanças Simón Alejandro Zerpa.

O anúncio foi feito pelo procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, numa conferência de imprensa em Caracas durante a qual divulgou várias fotografias do momento em que ocorreram as detenções.

“Com base no depoimento de pelo menos cinco testemunhas ouvidas pelos nossos procuradores, conseguimos desvendar a participação direta e a detenção de Tareck El Aissami, ex-ministro do Petróleo e ex-presidente de Pdvsa (empresa petrolífera estatal), Samark López, empresário, e Simón Zerpa, ex-ministro das Finanças e ex-presidente do Fundo de Desenvolvimento Nacional (Fonden)”, afirmou o procurador-geral. Segundo o procurador-geral, Tareck El Aissami será acusado de traição à pátria e legitimação de capitais.

Já Simón Alejandro Zerpa e Samark López vão ser acusados de “apropriação indevida de bens públicos, ostentação ou aproveitamento de relações ou influências” e “associação criminosa”, uma “pluralidade de delitos” que vão receber “uma sanção exemplar”, prosseguiu o responsável.

“Estes canalhas que, em má altura, usaram os cargos que o Estado lhes deu para avanços importantes na economia, aliaram-se a empresários para procurarem, numa conspiração económica, destruir a economia”, disse o procurador-geral, indicando que Tareck El Aissami era o chefe do esquema de conspiração na empresa estatal Petróleos da Venezuela SA (PDVSA).

Segundo o procurador, os detidos realizaram operações ilegais, atribuíram carregamentos de petróleo, sem controlo administrativo nem garantias, incumprindo as normas contratuais da empresa estatal, e que por esse petróleo atribuído ilegalmente não foram efetuados os pagamentos correspondentes à petrolífera estatal. No âmbito desta investigação, as autoridades da Venezuela já detiveram 54 pessoas.

Em 17 de março de 2023, a Polícia Nacional Anticorrupção (PNAC) da Venezuela pediu ao Ministério Público a emissão de 81 mandados de detenção por alegado envolvimento em atos graves de corrupção, administrativa e desvio de fundos, numa ação prejudicial aos interesses e necessidades da República e da população.

A investigação envolvia, entre outras, operações da empresa estatal Petróleos da Venezuela SA e através da Superintendência Nacional de Criptoativos (Sunacrip) e abrangeu quase duas centenas de pessoas. Em 20 de março de 2023, o então ministro do Petróleo Tareck El Aissami anunciou a sua demissão, numa altura em que a justiça estava a investigar alegados atos de corrupção entre altos funcionários públicos.

Tareck El Aissami anunciou a sua demissão através da rede social Twitter, tendo-se disponibilizado para ajudar em eventuais investigações à empresa Petróleos de Venezuela SA e tendo oferecido apoio à campanha anticorrupção do presidente Nicolás Maduro. Segundo a imprensa local, o paradeiro de Tareck El Aissam era desde então desconhecido.

Ainda em 20 de março de 2023, o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou uma reestruturação, ao mais alto nível, na PDVSA e nos tribunais do país, como parte de uma estratégica governamental anticorrupção.

“Vamos limpar a PDVSA de todos estes mecanismos com medidas de reestruturação ao mais alto nível, como já começámos. Da mesma forma com os casos da magistratura”, disse Maduro durante uma reunião da direção do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo) que teve como tema central as investigações que visaram cidadãos que ocupavam cargos no poder judicial, na indústria petrolífera e em alguns municípios do país.

Maduro explicou que as investigações decorreram em outubro e novembro de 2023 e que revelaram “pistas importantes dos mecanismos de funcionamento” de “máfias” que operavam em empresas e organismos estatais.

Últimas de Economia

O setor do alojamento turístico registou, em 2025, 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas, representando subidas respetivas de 3,0% e 2,2%, mas abrandando face ao ano anterior, segundo o INE.
O excedente do comércio externo de bens da zona euro recuou, em 2025, para os 164,6 mil milhões de euros e o da UE para os 133,5 mil milhões de euros, divulga hoje o Eurostat.
Perderam a casa, o armazém ou a exploração agrícola com a tempestade, mas antes de receberem ajuda do Estado têm de provar que não devem um euro ao Fisco. O Governo decidiu condicionar os apoios às vítimas da tempestade Kristin à situação fiscal regularizada.
As empresas vão passar a ter até dia 25 de cada mês (ou o dia útil seguinte, caso este coincida com um fim de semana ou feriado) para pagarem as contribuições à Segurança Social.
O número de passageiros movimentados nos aeroportos nacionais deverá ter aumentado 4,7% em 2025, para 73,75 milhões, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgados.
Um total de 33 mil clientes da E-Redes, em Portugal continental, continua sem abastecimento de energia elétrica devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição desde 28 de janeiro, informou hoje a empresa.
O Banco Central Europeu (BCE) acredita que a Autoridade de Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (AMLA) irá "melhorar a cooperação entre os supervisores e reduzir a fragmentação" na Europa.
Portugal registou, entre 2021 e 2024, oito casos de suspeita de fraude relacionados com o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, que financia o PRR, indicou hoje o Tribunal de Contas Europeu, falando em instrumentos “pouco eficazes” contra irregularidades.
A reposição de antenas da rede de comunicação de emergência SIRESP destruídas pela passagem da depressão Kristin vai ter um custo de "cerca de seis milhões de euros", informou hoje o ministro da Presidência.
A Deco Proteste alertou hoje que as propostas financeiras criadas por vários bancos, para o apoio aos efeitos do mau tempo assentam, na sua maioria, na contratação de novos empréstimos, que podem “agravar o endividamento das famílias”.