Aumento do crédito malparado contido apesar das taxas de juro altas

As taxas de juro altas têm afetado a qualidade da carteira de crédito dos bancos, mas o "ambiente macroeconómico benigno" permitiu conter o aumento de novos incumprimentos, referiu hoje o Banco de Portugal (BdP).

© LUSA/CARLOS M. ALMEIDA

“As taxas de juro elevadas têm pressionado os custos de financiamento de empresas e famílias, afetando a qualidade da carteira de crédito do setor bancário. Não obstante, o ambiente macroeconómico benigno permitiu manter os fluxos de novos incumprimentos em níveis relativamente contidos”, lê-se Relatório de Estabilidade Financeira do banco central, hoje divulgado.

O BdP precisa que o rácio de NPL (crédito malparado) bruto diminuiu marginalmente no primeiro semestre de 2024, para 2,6% em junho, refletindo uma redução de 0,3% do ‘stock’ total de NPL e um crescimento de 1,3% dos empréstimos ‘performing’ (componente do denominador).

A variação do ‘stock’ de crédito malparado decorreu, por um lado, de uma redução de 3,5% no segmento das empresas e, por outro, de um aumento nos segmentos de particulares, tanto para aquisição de habitação (+9,3%) como para consumo e outros fins (+1,9%).

Quanto ao aumento dos empréstimos ‘performing’, cerca de metade deveu-se às disponibilidades em bancos centrais e outras instituições de crédito e outra metade aos empréstimos ‘performing’ de ambos os segmentos de particulares.

Daqui resultaram “ligeiras variações” nos rácios de malparado bruto dos principais segmentos de empréstimos ao setor privado não financeiro, não se tendo registado variações significativas na dispersão entre instituições.

Ainda assim, o BdP nota que o rácio de NPL bruto do setor bancário português era em junho 0,8 pontos percentuais superior ao da média da zona euro, sendo este diferencial “significativamente inferior” no caso do rácio de NPL líquido (+0,1 pontos percentuais) devido ao maior nível de cobertura por imparidades face à média da área do euro (+12,2 pontos percentuais).

Os dados do banco central apontam ainda que, no primeiro semestre deste ano, o rácio de empréstimos em ‘stage 2’ (para os quais se observou um aumento significativo do risco de crédito) diminuiu 0,7 pontos percentuais face ao final de 2023, para 10,0%, após um agravamento registado no ano passado.

Esta descida do rácio foi transversal aos principais segmentos, tendo sido mais acentuada nas empresas e nos particulares para habitação.

Quanto ao rácio de empréstimos reestruturados por dificuldades financeiras do devedor, diminuiu 0,2 pontos percentuais, para 2,4%, no primeiro semestre de 2024, em resultado de uma redução de 7,5% dos empréstimos reestruturados.

No que se refere à concentração de exposições da banca nacional, o BdP refere que “o risco de interligação entre o soberano e o sistema bancário por via da exposição direta à dívida pública nacional tem vindo a reduzir-se nos últimos anos”, tendo a composição da carteira de dívida pública dos bancos portugueses mantido a tendência de diversificação geográfica.

“Apesar do aumento da exposição global ao mercado imobiliário (0,9% face a dezembro de 2023), o peso desta exposição no ativo do sistema bancário manteve uma tendência descendente, situando-se em 33,5% em junho de 2024”, detalha.

Em termos de liquidez, o banco central diz que o sistema bancário se manteve “robusto”, permanecendo os rácios prudenciais de liquidez “em níveis elevados”.

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