Tensões no comércio mundial tornam previsões sobre inflação do euro mais incertas

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, avisou hoje que as tensões no comércio mundial podem afetar as perspetivas sobre a inflação na zona euro, quando se prevê um regresso aos 2% durante este ano.

© Flickr/BCE

“A inflação deverá regressar ao nosso objetivo de médio prazo de 2% no decurso do corrente ano, com riscos tanto no sentido ascendente como descendente. Uma maior fricção no comércio mundial tornaria as perspetivas de inflação na área do euro mais incertas”, disse Christine Lagarde.

Intervindo na apresentação do relatório anual do BCE, num debate na sessão plenária do Parlamento Europeu na cidade francesa de Estrasburgo, a responsável garantiu “determinação para assegurar que a inflação se estabiliza de forma sustentável”, chegando a esta meta de 2% fixada pelo banco central para estabilidade dos preços, mas não se comprometeu com os próximos passos em termos de política monetária, após recentes reduções das taxas de juro.

Em termos gerais, a líder do banco central da moeda única disse antever uma recuperação da economia do euro este ano, após um “crescimento modesto em 2024”.

Para esta estimativa relativa a 2025 contribui o facto de as exportações “apoiarem a retoma, à medida que a procura mundial aumenta, embora tal dependa da evolução das políticas comerciais internacionais”, ressalvou Christine Lagarde, voltando então a frisar o contexto comercial, numa altura em que os Estados Unidos ameaçam a imposição de novas tarifas à União Europeia (UE).

Ainda assim, de acordo com a responsável, “as condições para uma recuperação [da economia do euro] continuam a existir [pois] um mercado de trabalho sólido e rendimentos mais elevados deverão reforçar a confiança dos consumidores e permitir o aumento das despesas”, ao mesmo tempo que “um crédito mais acessível deverá impulsionar o consumo e o investimento ao longo do tempo”.

Também presente no debate em representação da Comissão Europeia, a comissária europeia para os Serviços Financeiros e União da Poupança e do Investimento, Maria Luís Albuquerque, apontou que “o mundo entrou numa era de forte concorrência geoestratégica”, pelo que “o reforço da competitividade e produtividade [comunitárias] tornou-se ainda mais urgente”.

“Para tal, são necessárias ações urgentes em várias frentes para orientar o trabalho”, disse a comissária europeia escolhida por Portugal, referindo-se à simplificação do mercado único, à promoção das competências e dos empregos de qualidade e a uma melhor coordenação das políticas e do financiamento, bem como ao impulso que a aplicação das novas regras orçamentais da UE poderá dar.

“Olhando para o futuro e em consonância com o BCE, a Comissão espera que a inflação regresse a cerca de 2% no decurso do ano, que o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] aumente à medida que o consumo privado ganhar força e que o investimento recupere de um fraco desempenho em 2024”, elencou a responsável.

Ainda assim, Maria Luís Albuquerque adiantou que isso acontece “ao mesmo tempo que a economia europeia sofre de uma série de quebras estruturais na sua competitividade, que travam o crescimento e ameaçam a prosperidade futura”.

Últimas de Economia

A prestação média mensal dos empréstimos para habitação própria permanente atingiu em setembro os 450 euros, o valor mais alto desde o início da série, em 2018, e mais 9% em termos homólogos, divulgou hoje o BdP.
As instituições de crédito em Portugal concederam em setembro 2.171 milhões de euros para novos empréstimos à habitação, um aumento de 4,2% em termos homólogos, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As dificuldades económicas estão a condicionar os projetos familiares dos mais novos. Metade dos jovens adia a decisão de ter filhos devido à insegurança financeira.
As previsões do Governo apontam para a manutenção da taxa-base máxima dos Certificados de Aforro no próximo ano. A evolução da Euribor deverá permitir que os portugueses continuem a receber juros de 2,5% na série F.
O Estado desembolsou 138,8 milhões de euros para comprar a participação da Fidelidade na REN. O valor pago inclui um prémio de 8,34% face à média de mercado dos últimos seis meses.
O défice do Serviço Nacional de Saúde (SNS) deverá mais do que duplicar no próximo ano, agravando-se em 1.377 milhões de euros. Apesar da intenção de reduzir os gastos com bens e serviços, a despesa aumentou 9,3% em 2026 e deverá continuar a subir.
A receita fiscal do Estado totalizou 51.161,9 milhões de euros até setembro, crescendo 6,5% em relação aos nove primeiros meses de 2025, impulsionada pelo IRS e IVA, indicam dados hoje divulgados pela Entidade Orçamental (EO).
A prestação da casa vai subir em novembro para créditos com taxa Euribor a três, seis e 12 meses que sejam revistos nesse mês, segundo as simulações feitas pela Deco Proteste para a agência Lusa.
A taxa de inflação situou-se nos 3,8% em outubro, face a 3,6% em setembro, segundo a estimativa rápida divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Apesar da descida dos preços do gás natural na União Europeia para o nível mais baixo desde 2022, Portugal continua entre os países com as tarifas mais elevadas. Quando considerado o poder de compra, os consumidores portugueses enfrentam o segundo preço mais alto dos 27 Estados-membros.